segunda-feira, 27 de junho de 2022

A História do Clube Caixeiral da Cidade de Santa Maria


A História do Clube Caixeiral da Cidade de Santa Maria. Sede do Clube Caixeiral da Cidade de Santa Maria, RS, localizado à Rua do Acampamento, esquina com a Rua Alberto Pasqualini, no centro histórico e comercial do Município. O Clube Caixeiral foi fundado em 14 de fevereiro de 1886, reunindo os caixeiros viajantes da Cidade. Os fundadores foram Herculano dos Santos, seu primeiro presidente, Joaquim Ilha, Venâncio de Freitas, Vitor Rist F°, João B. de Figueiredo, Luís Gonzaga Martins, Domingos Dias, Fidêncio de Oliveira, Ernesto Vieira, Germano Brenner, Manoel Feliciano dos Santos, Percival Brenner e Carlos de Lemos Pinto.

A primeira sede do Clube foi instalada em um sobrado na esquina da Rua Dr. Bozano com a Rua Duque de Caxias, no local onde hoje está instalado o Edifício Dalcol. Mais tarde, o clube se instalou na sua primeira sede própria, à rua Floriano Peixoto, onde atualmente está o Centro de Ciências Sociais e Humanas da UFSM. A atual sede do Clube só foi inaugurada no ano de 1926. Pela lei 1869/76, DE 17-08-1976, o Prefeito Municipal DR. ARTUR MARQUES PFEIFER considerou de Utilidade Pública Municipal, o Clube Caixeiral Santa-Mariense. No ano de 2007 teve início, pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural, um processo para estudos de tombamento da edificação.

O início da obra do prédio do Clube Caixeiral se deu em 21 de abril de 1921, e a inauguração se deu em 16 de outubro de 1926. O projeto foi assinado pelo arquiteto alemão radicado em Porto Alegre Theodor Wiederspahn, e a execução da obra foi conduzida por Olympio Lozza. Em estilo eclético, predominam na construção os elementos dos movimentos Neoclássico e Art Nouveau. Estas sociedades surgiram em razão dos movimentos dos caixeiros pelo fechamento das portas do comércio aos domingos e feriados, na parte da tarde. Os dirigentes dos Clubes continuaram, por muitos anos, na defesa do descanso. A bandeira dos direitos sociais da classe dos caixeiros viajantes esteve na gênese da fundação destas associações. As sedes sociais e atividades clubísticas surgiram apenas em um segundo momento de suas existências.

Os Clubes Caixeirais no Rio Grande do Sul surgiram nos anos finais do século XIX. Entre 1879 e 1890, foram fundados doze clubes no Estado, nas Cidades de Pelotas, Porto Alegre, Bagé, Livramento, Jaguarão, Santa Maria, Alegrete, São Gabriel, Rio Grande, Cachoeira do Sul, Uruguaiana e São Sepé, sendo a sociedade Caixeiral da Cidade de Pelotas a mais antiga, fundada no final do ano de 1879. O Clube Caixeiral de Santa Maria permanece fechado desde julho de 2018, quando parte do telhado de sua estrutura caiu. No local funcionava um restaurante de intenso movimento, que também teve de ser fechado. Até os meandros de janeiro de 2020, quando gravamos este vídeo, a obra e reconstrução e recuperação da estrutura dos telhados não havia ainda começado.

A realidade atual dos clubes caixeirais é de dificuldades financeiras e de manutenção de suas estruturas, uma vez que são clubes com poucos sócios, muitos dos quais remidos, e a evolução da sociedade, que leva a falta de interesse do público em frequentar bailes e jantares tradicionais. A dificuldade de adaptação aos novos tempos e a barreira financeira é uma marca comum entre estas instituições centenárias.


segunda-feira, 20 de junho de 2022

A Reforma do Clube Martinhense e a História do Forte de São Martinho da ...


A Reforma do Clube Martinhense e a História do Forte de São Martinho da Serra. Obras do Clube Martinhense, localizado no Centro da Cidade de São Martinho da Serra, na região central do Estado do Rio Grande do Sul. O vídeo mostra a reforma em andamento no ano de 2018. Em 2019 a obra estava quase concluída, já com a colocação dos telhados. Em razão da pandemia de Covid-19, não nos deslocamos até o local no ano de 2020.

O Clube passou por regularização fundiária executada pela Prefeitura Municipal para que pudesse ser reformado. Não foi possível a obtenção de outras informações sobre o local. O espaço, no entanto, será novamente destinado ao uso da comunidade local. O território de São Martinho da Serra era originalmente habitado por comunidades indígenas organizadas (guaranis) quando chegaram os colonizadores europeus. A partir da primeira metade do século XVII chegaram os primeiros padres jesuítas ao local, que o denominaram de Monte de São Martinho.

O Forte localizava-se pouco adiante da Picada de São Martinho, único caminho conhecido da região por entre as serras que levavam à região missioneira do atual Estado do RS. Tinha por função impedir o contrabando que vinha das Missões Orientais para o Município de Rio Pardo, e era um contraponto à Guarda de Santa Maria, que Portugal mantinha na parte baixa da serra já em território português. Mais tarde, em razão dos conflitos de fronteira entre Portugal e Espanha, foi instalado por esta na região um forte militar, também chamado de guarda ou trincheira de São Martinho, que era composta por 30 ou 40 homens, índios em sua maioria, chefiados por um oficial espanhol.

Finalmente, em 1801, o militar e estancieiro Manoel dos Santos Pedroso (Maneco Pedroso), atacou e conquistou em definitivo a Guarda de São Martinho. Após a sua vitória, um destacamento do exército português, partindo do Passo dos Ferreiros, tomou posse do local. Foi deste forte militar que partiram as tropas portuguesas que reconquistaram para Portugal toda a região das Missões do atual Rio Grande do Sul. Em 1775, partindo da Cidade de Rio Pardo, o sargento-mór Rafael Pinto Bandeira e 150 homens do esquadrão de cavalaria ligeira realizou o primeiro ataque português ao Forte de São Martinho, conquistando-o e abandonando-o em sequência, uma vez que não pôde deixar ali homens para garantir a posse do local. Assim, os espanhóis retornaram ao local posteriormente.

segunda-feira, 13 de junho de 2022

A História do Monumento ao Imigrante Italiano em Silveira Martins


A História do Monumento ao Imigrante Italiano em Silveira Martins. Na tela o Monumento em homenagem ao Imigrante Italiano, construído na VRS 804, na subida da Serra que leva ao Hoje Município de Silveira Martins, que na época das imigrações era Distrito da Cidade de Santa Maria e foi a sede da Quarta Colônia de Imigração Italiana do Rio Grande do Sul, localizada na região central do Estado. Cabe dizer que a história das imigrações nesta região estão associadas, entre outras, à figura de Gaspar Silveira Martins, político gaúcho nascido no Uruguai e um grande defensor das imigrações no sul do Brasil e de melhores condições de vida aos imigrantes aqui chegados. O nome do Município de Silveira Martins, inclusive, é um tributo em sua homenagem.

Dentro destas circunstâncias foi criado então o Núcleo Colonial da Cidade de Santa Maria da Boca do Monte, cujas terras seriam vendidas a imigrantes para angariar recursos para os cofres da cidade. Este núcleo, mais tarde, viria a se tornar a Quarta Colônia de Imigração, chamada de Colônia Silveira Martins à partir do ano de 1879. A ideia embrionária da criação de uma colônia de imigração na região foi um pedido ao governo imperial da Câmara de Vereadores da Cidade de Santa Maria da Boca do Monte, hoje Santa Maria, para a concessão e a demarcação de terras devolutas que deveriam serem anexadas ao patrimônio desta cidade.

Dessa forma constituiu-se a Quarta Colônia Imperial de Imigração Italiana, que foi denominada Colônia Silveira Martins, composta pelas áreas dos hoje Municípios de Silveira Martins, Faxinal do Soturno, Ivorá, São João do Polêsine, Nova Palma, Pinhal Grande e Nova Palma. As cidades de Agudo e Restinga Seca, embora hoje façam parte da Região da Quarta Colônia, não tiveram a sua colonização majoritariamente feita por imigrantes italianos. Antes da chegada dos colonos italianos e se tornar a Colônia Silveira Martins, o Núcleo Colonial de Santa Maria da Boca do Monte recebeu imigrantes russo-alemães, quando chegaram pessoas vindos da cidade de Saratow, na Rússia, no ano de 1877. Após o fracasso e a desistência destas etnias em ocupar as terras da Colônia é que a mesma foi destinada à imigração italiana.

Entre os meses de maio e julho de 1878, em razão do grande número de pessoas e das péssimas condições de higiene do local, uma grande epidemia infecto=contagiosa eclodiu entre a população ali instalada. As mortes já se sucediam em ritmo intenso e rápido. Os enterros eram feitos com o corpo envolto em lençóis, e quase todas as famílias foram atingidas. Acredita-se que tenham morrido no local, em poucas semanas, entre 300 e 500 imigrantes. A primeira leva de imigrantes italianos chegou a colônia de Silveira Martins por volta da primavera de 1877. O local que os abrigava foi denominado de Barracão de Val de Buia. Com a demora da demarcação de terras, outras famílias foram chegando e ali se estabelecendo, e logo o barracão já abrigava mais de 1000 imigrantes, em condições precárias, que esperavam a demarcação e a distribuição de suas terras.

segunda-feira, 6 de junho de 2022

O Antigo Coreto da Praça da Cidade de São Vicente do Sul


O Antigo Coreto da Praça da Cidade de São Vicente do Sul. No vídeo aparece o Coreto da Praça Central Borges de Medeiros, construído no centro geográfico da mesma, na Cidade de São Vicente do Sul, região central do Estado do Rio Grande do Sul. O Coreto da praça foi concebido na gestão do Intendente Municipal Armando Vitorino Prates, integrante do PRR - Partido Republicano Riograndense, e foi erguido em homenagem aos cem anos da independência do Brasil, ocorrido no ano de 1922.

Armando Vitorino Prates era advogado formado na Escola Livre de Direito da cidade de Ouro Preto em MG e amigo e correligionário de influentes políticos da época, entre eles Flores da Cunha, Osvaldo Aranha e de Getúlio Vargas de quem era, inclusive, o seu advogado em diversas questões locais e regionais. O Coreto da Praça representa o principal cartão postal da Cidade de São Vicente do Sul. Em sua construção prevalecem elementos dos estilos neoclássico que resgata características da arquitetura greco-romana e também com elementos do movimento artnoveau, um estilo estético de origem francesa que se apresenta por formas e estruturas naturais e menos tradicionais.

O Banco Nacional do Comércio de Porto Alegre já existia em 1900, e sua nova sede onde hoje se encontra o Santander Cultural foi construída entre 1927 e 1932, o que contrasta com a informação de que o Coreto teria sido construído após a finalização desta obra. A História ainda diz que os materiais utilizados em sua construção foram importados da Europa. Além de um marco histórico, o Coreto de São Vicente do Sul foi concebido para ser uma fonte e um reservatório de água para os moradores da região central da cidade. Sua construção teria sido executada por um mestre de obras de origem italiana que teria trabalhado na construção da sede do Banco Nacional do Comércio, em Porto Alegre. Esta informação, no entanto, não foi possível de ser confirmada.

segunda-feira, 30 de maio de 2022

A Catedral do Mediador de Santa Maria - Igreja Anglicana do Brasil


A Catedral do Mediador de Santa Maria - Igreja Anglicana do Brasil. Templo da Igreja Episcipal Anglicana do Brasil localizado no centro da Cidade de Santa Maria, Estado do Rio Grande do Sul. A igreja é denominada de "Catedral do Mediador", e representa a Diocese Anglicana Sul-Ocidental, suja sede ou sé é administrada à partir da referida Catedral. A Catedral do Mediador teve suas obras iniciadas no ano de 1905, e foi inaugurada no dia 11 de novembro de 1906. Representa um projeto arquitetônico que mescla os estilos normando ao estilo gótico, que aparecem com detalhes na construção das portas e janelas.

A Torre da Catedral do Mediador possui 26 metros de altura, e os seus sinos foram importados dos EUA. Possui 14 vitrais internos que foram doados pela comunidade. Na sua inauguração, todo o templo foi iluminado com as cores da bandeira do Rio Grande do Sul, que é considerado o berço da Igreja Episcopal Anglicana no Brasil. O projeto da construção da Catedral esteve a cargo do pároco Carl Henry Clement Sergel, um ex-bancário inglês, e a construção do templo foi executada por Virgílio Cattanio. Os vitrais, as portas e as janelas do templo ainda são os originais que estiveram na inauguração do templo.

Os anglicanos chegaram ao Brasil por volta do ano de 1810, através de capelanias subordinadas à Igreja da Inglaterra, e representavam as primeiras igrejas não-romanas presentes no País. Mas apenas em 1890 o Anglicanismo buscou uma expansão no território brasileiro, à partir do trabalho de dois missionários americanos, Lucien Lee Kinsolving e James Watson Morris, que organizaram uma missão em Porto Alegre, no RS. Os Anglicanos definem a sua origem entre os antigos celtas, que tiveram a sua igreja absorvida pela Igreja Católica Romana à partir do século VI, através de Agostinho da Cantuária. Quando o Rei da Inglaterra Henrique VIII buscou a anulação de seu casamento com a Princesa da Espanha Catarina de Aragão no século XVI, ocorreu a separação entre a Igreja Inglesa e a Romana, surgindo assim a Igreja Anglicana.

O nome de "Catedral do Mediador" passou a ser adotado à partir de março do ano de 1950, quando Santa Maria passou a ser a sede da Diocese Sul-Ocidental da Igreja Anglicana do Brasil. Em 29 de outubro de 1982, através da Lei Municipal 4.627, a Catedral do Mediador passou a ser considerada Patrimônio Histórico Municipal da Cidade de Santa Maria. Em Santa Maria, os anglicanos chegaram por volta do fim do século XIX. O primeiro culto anglicano na cidade foi celebrado em 11 de fevereiro de 1900 pelo Reverendo James Morris em uma capela alugada na Rua do Comércio, atual Rua Dr. Bozano, onde estava estabelecida a Capela do Mediador.

segunda-feira, 23 de maio de 2022

O Antigo Prédio dos Caixeiros Viajantes de Santa Maria - Prédio da SUCV


Antigo edifício João Fontoura Borges, localizado no centro da Cidade de Santa Maria, RS, mais conhecido como o "Prédio da SUCV", Sociedade União dos Caixeiros Viajantes do Estado do Rio Grande do Sul. O Prédio foi construído entre os anos de 1922/23 a 1926, e inaugurado em setembro de 1926. Não há consenso sobre as datas de início das obras. Também não há consenso sobre o projeto arquitetônico da construção, que apontam para dois projetos que teriam orientado a construção do Edifício.

Um grupo de estudiosos defende que a obra seguiu projeto elaborado pela Companhia Construtora Santos, que possuia, à época da construção, escritório e diversas outras obras na cidade e no Estado do RS. Outro grupo prega que o projeto arquitetônico teria sido elaborado por Alfredo Haessler e construído pelo engenheiro Jorge Wilde e pelo mestre de obras Otto Werner. A arquitetura do Prédio da SUCV segue os elementos de um estilo eclético, com influências dos movimentos neoclássico e art nouveau. Corresponde a um dos últimos projetos arquitetônicos centenários da cidade que ainda mantém a sua originalidade na sua parte interna, além das fachadas que marcam o imaginário, a paisagem e a história da população da cidade de Santa Maria.

A Sociedade União dos Caixeiros Viajantes - SUCV foi criada no dia 20 de setembro de 1913, por 57 caixeiros viajantes com o objetivo de criar uma entidade associativa que defendesse os seus interesses e desse amparo às famílias. Surgiu como uma entidade de Pecúlio e Previdência que garantiria assistência às famílias daqueles que viessem a morrer, visto que eles eram os mantenedores da renda familiar. Santa Maria foi a cidade escolhida como a sede da sociedade por razões de apresentar, na época, uma forte atividade ferroviária sendo o principal tronco ferroviário do Estado e em razão de sua posição estratégica, pois estando no centro geográfico do Estado do RS, concentrava e facilitava o trânsito dos Caixeiros Viajantes que percorriam todas as áreas do Rio Grande do Sul.

O nome do Edifício "João Fontoura Borges" deve-se a Homenagem ao Presidente da Entidade no período de construção/inauguração do Edifício. A SUCV - Sociedade União dos Caixeiros Viajantes que iniciou como um sistema de Pecúlio e Previdência evoluiu para a União de Previdência, mudou-se para Porto Alegre e hoje corresponde a uma das maiores instituições de previdência do país, correspondendo a União Seguradora. Um Caixeiro-viajante corresponde a denominação de uma profissão antiga, na qual define uma pessoa que vende produtos fora de onde eles são produzidos. Corresponde aos antigos mascates e, nos dias de hoje, aos vendedores e representantes comerciais. Antigamente eram eles a única forma de transportar produtos entre diferentes regiões fora dos grande centros comerciais.

O prédio possui quatro pavimentos além da cobertura. Seu interior teve o cuidado de trazer referência à atividade dos Caixeiros Viajantes, que o construíram. Na entrada junto à base da escadaria, encontram-se as estátuas de Mercúrio, conhecido como o Deus Romano do Comércio, e a de Ceres, a Deusa Grega da Agricultura. Consta que o primeiro elevador da cidade de Santa Maria foi instalado no prédio da SUCV, depois de ter sido adquirido e fabricado na Alemanha, todo ele com armações de madeira. O elevador ainda encontra-se em estado funcional e em plena atividade no Edifício.

Toda a construção do prédio foi feita com materiais nobres, muitos deles importados da Europa. Antes da Construção do Prédio funcionava no local um café, de propriedade da família Aita, denominado de Café Santamariense. Ainda antes da existência do Café Santa Mariense, funcionava no local um antigo cemitério que era contíguo à primitiva Igreja da Matriz da cidade, que passou a ser demolida à partir do ano de 1888. Quando das escavações das fundações do prédio da SUCV, foram encontradas ossadas que eram provenientes deste antigo cemitério que ali existiu.

O prédio sempre foi um ícone na vida social e cultural da cidade. Recitais, concertos e reuniões políticas eram comuns em seu ambiente interno e, mais tarde, formaturas dos cursos da UFSM. Consta que o Presidente da República Getúlio Vargas fez um discurso a populares da sacada do antigo Edifício no longínquo ano de 1930. Desde o ano de 1993 as fachadas externas do Edifício eram tombadas pelo Patrimônio Histórico Municipal. No ano de 2011 o prédio foi desapropriado da SUCV, passando a pertencer ao Município de Santa Maria, com excessão do andar térreo que permanece de posse de particulares.

segunda-feira, 16 de maio de 2022

Antigas Unidades Militares de Porto Alegre RS


Video do antigo prédio da atual 8° Circunscrição do Serviço Militar ( 8° CSM), em Porto Alegre, no Centro Histórico do Estado do Rio Grande do Sul. Trata-se de um belíssimo prédio construído em estilo neoclássico, cuja construção se deu à partir do ano de 1828. O atual prédio foi construído em área de propriedade da Real Fazenda e da Irmandade de Nossa Senhora das Dores, no lugar de uma construção mais antiga ali existente e que abrigava os Armazéns Reais do Império do Brasil, datada de 1776.

O prédio antecessor a este servia de residência do Inspetor de Trem e de seu ajudante em Porto Alegre, além das funções de almoxarifado, depósito de material bélico, artilharia e armas portáteis. Também era sede da Companhia de Artífices Militares e Menores Aprendizes. O atual prédio da CSM já foi sede do Trem de Guerra (1819), do Arsenal de Guerra do RS (1829), a Casa da Pólvora, e também foi sede do Arsenal de Guerra de Porto Alegre (1851), quando tomou as configurações arquitetônicas finais dos dias atuais. Também foi sede do Estabelecimento Regional de fardamento , Equipamento e Arreamento em 1924, e do Estabelecimento Regional de Material de Intendência em 1935.

O segundo prédio que aparece no vídeo corresponde ao prédio da Comissão Regional de Obras/3, criada pelo Decreto n° 66.993 de 04 de Agosto de 1970, com sede também em Porto Alegre e localizada na rua de Setembro, número 332. Ainda na década de 1960 foi reformado e novamente entregue ao uso em 1964, sendo que em 1974 sua destinação passou a ser de Depósito Regional de Material de Intendência. Em 1984 sofreu a última reforma, e hoje serve como sede da 8° CSM, Companhia de Comando do CSM, da Seção de Inativos e Pensionistas e Almoxarifado da 3° Região Militar.

A CSO/3 é subordinada ao Quarto Grupamento de Engenharia , e esta ao Comando Militar do Sul. Sua origem remonta à Comissão Especial de Obras n° 6, instalada em Santa Maria em 15 de junho de 1956, que tinha o objetivo de atender e executar os reparos necessários nos quartéis e residências funcionais das guarnições de Santa Maria, Alegrete e Saican. O Canal Arquitetura Abandonada não conseguiu levantar maiores informações sobre o atual prédio sede da Comissão regional de Obras. Em Porto Alegre, janeiro de 2019.

A Engenharia Militar divide-se em duas vertentes: de combate e de construção. A Engenharia Militar de Combate apoia-se nas armas-base, facilitando o deslocamento das tropas amigas, reparando estradas, pontes e eliminando obstáculos à progressão e, ainda, dificultando o movimento do inimigo. Já a Engenharia Militar de Construção, em tempos de paz, colabora com o desenvolvimento nacional, construindo estradas de rodagem, ferrovias, pontes, açudes, barragens, poços artesianos e inúmeras outras obras.

segunda-feira, 9 de maio de 2022

A Arquitetura Antiga e a História do Distrito de Vila Clara - Mata RS


O Distrito de Vila Clara corresponde ao primeiro distrito da Cidade de Mata, e localiza-se a 7 quilômetros da sede do Município. No passado, Vila Clara junto do Distrito sede da Mata e a região do Taquarichim formavam o 4º Distrito da cidade de São Vicente do Sul. O Distrito de Vila Clara abrange as localidades de São José do Ouro, Chacrinha, Linha Holanda, Boa Esperança, São José e Linha Canoa. O local teve o seu maior cíclo de desenvolvimento quando funcionava na localidade a antiga estação férrea da Clara, hoje desativada e abandonada.

Vila Clara deve o seu nome a Clara Textor, nascida em 5 Março de 1832, em Schönwald, Regensburg, Alemanha. Clara, junto de seu esposo Ludwig Theodor Viggo Thompson foram os primeiros proprietários na região, chegando ao local no final do século XIX. A foto da casa que supostamente teria pertencido ao casal encontra-se no final do vídeo. Thompson foi fundador de uma colônia alemã no Rincão São Pedro que nesta época era distrito de Santa Maria e corresponde ao hoje município de São Pedro do Sul. É bem provável que a colônia alemã fundada por Thompson seja a colônia cuja sede ficava em Clara. O nome "Clara" da colônia teria sido uma homenagem à sua segunda mulher, então Clara Textor.

A Antiga estação férrea de Clara foi inaugurada em 1919, juntamente com o trecho inicial do ramal de São Borja. O nome foi dado também em homenagem à alemã pomerana Clara Textor, esposa de Vigo Thompson. Nos anos 1940 o nome da estação foi alterado para Clara. O ciclo ferroviário representou o maior surto de desenvolvimento da comunidade. Atualmente a economia do distrito gira em torno das lavouras de arroz cultivadas nas várzeas do Rio Toropi. O distrito faz divisa com os Município de São Pedro do Sul e o Município de Toropi, cuja travessia sobre o rio é feita através de uma balsa. No local também há uma grande ponte férrea abandonada sobre o rio que já foi considerada a maior ponte em vão livre da América Latina.

Os casarões que aparecem no vídeo correspondem ao núcleo central que se estabeleceu ao largo da antiga estação férrea. São antigas casas residenciais e comerciais mistas e prédios industriais (engenho de arroz) onde as famílias de colonizadores se estabeleciam e iniciavam os seus comércios, locais que eram considerados pontos estratégicos em razão da logística da ferrovia e da estação presente no distrito. Com o encerramento das atividades férreas, o declínio e o rearranjo dos comércios e da economia local foram inevitáveis.

segunda-feira, 2 de maio de 2022

A História da Antiga Igreja e da Biblioteca da Cidade de Osório no RS


A História da Antiga Igreja e da Biblioteca da Cidade de Osório no RS. Igreja de Nossa Senhora da Conceição, localizada no Centro Histórico da cidade de Osório, no RS. A construção atual é um remodelamento de 2011 dos antigos prédios que vêm sendo reformados desde 1742, quando da construção da primeira capela no local. A primeira Capela remonta ao ano de 1742, quando escravos encontraram, em arroio afluente do atual Arroio do Camarão, uma imagem da santa padroeira. Em 1773, foi criada a Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Arroio (atual Osório), com a Igreja Matriz sendo construída no período de 1793 a 1873. Por volta de 1900, o campanário lateral foi demolido. A foto deste período encontra-se ao final do vídeo.
Na década de 1950 surgiu um projeto para a Igreja Matriz, a qual teve as paredes construídas ao redor da antiga. Com a criação da Diocese de Osório em 1999-2000, a Igreja Matriz passou a ser designada Catedral. Em 2011 um novo modelo foi proposto, com a intenção de alteração na fachada frontal e a permanência de uma única torre para recuperar o valor histórico da construção, remetendo à primeira Igreja de 1742, como marco visual da cidade. A cidade de Osório origina-se dos tempos e das ações de proteção e colonização das terras extremas do território imperial do Brasil. No final do século XVII, a faixa litorânea tornou-se conhecida pelos paulistas e lagunenses que vinham em busca de gado e também era caminho das tropas que faziam o enfrentamento das invasões castelhanas. O caminho ficou conhecido como Estrada da Laguna.
Em 1857, o município de Osório emancipou-se de Santo Antônio da Patrulha, e se chamava Conceição do Arroio. Em 1934 Conceição do Arroio passou a chamar-se Osório, por ordem do interventor federal Flores da Cunha, em homenagem ao marechal Manuel Luís Osório, patrono da Cavalaria Nacional, supostamente ali nascido. No entanto, pesquisas posteriores apontam que o General Osório nasceu no município de Tramandaí, próximo aos limites com Osório, local transformado em parque histórico com o seu nome. O prédio que aparece no vídeo corresponde a sede da Biblioteca Pública Municipal, que funciona no local desde o ano de 1985. O prédio corresponde à sede da antiga Prefeitura da Cidade, e foi construído em meados do século XIX. A área conta com amplo espaço cultural do Município de Osório e faz parte do Centro Histórico Municipal.

A primeira Biblioteca criada no Município chamava-se Sociedade Amor à Arte, organizada em 1887. Em 15 de março de 1943, por decreto municipal, foi criada a primeira biblioteca pública de Osório, que logo passou a denominar-se Fernandes Bastos. Até 1952 ela permaneceu no andar superior deste prédio, então sede da Prefeitura. Passou então por diferentes locais até ser instalada em definitivo no seu local atual. Fernandes Bastos, que empresta o nome à Biblioteca do Município de Osório, foi intendente municipal quando o Município ainda chamava-se Conceição do Arroio, em três oportunidades, 1912-1915, 1920-1924 e 1928-1934. Era Porto-alegrense, intelectual e fluente em alemão e francês. Foi autor do livro Noite de Reis, de 1935, e, como correspondente do IHGRS, autor de inúmeros artigos sobre a história do Litoral Norte gaúcho.

segunda-feira, 25 de abril de 2022

O Antigo Casarão dos Famer - Osório RS


Antigo Casarão dos Famer, localizado na cidade de Osório, na região do Litoral Norte do Estado do Rio Grande do Sul. O Casarão consta como constrído em 1883, e segue o estilo arquitetônico das construções feitas por imigrantes italianos que chegaram ao Brasil no final do século XIX. Embora o sobrenome Famer tenha se perpetuado, não foram eles que construíram o Casarão. O imigrante italiano Giuseppe Famer, nascido na Comuna de Verdello, província de Bergamo, na Itália, comprou de Pedro Anflor uma propriedade de 6.700m2 em Osório, na antiga Rua Sepúlveda, hoje João Sarmento. Nesta propriedade já existia a casa deste vídeo, que passou a ser conhecida desde então como o Casarão dos Famer.

Antes de mudarem residência para a cidade de Osório, os Famer se estabeleceram em Vila Nova, na cidade de Santo Antônio da Patrulha, após partirem do Porto de Gênova, na Itália, em 1892. Mais tarde mudaram-se para a localidade de Bocó, no Morro da Borússia. Somente em 1920 é que compraram a atual propriedade onde já se encontrava construído o casarão. Augusto e sua Esposa morreram cedo, deixando o filho Hermínio Famer ainda menor de idade. O Irmão de Augusto, José Famer Filho passou então a ser o tutor de Hermínio, que mais tarde casou-se com Sunta Goldani, tendo nove filhos naturais e três adotivos. André Famer, o filho mais velho do Casal foi quem assumiu os negócios da família. Em meados dos anos 1970, o comércio fechou as portas. E com a morte de André em 2001, a casa passou a pertencer às suas filhas.

Estabelecidos na Cidade de Osório, Giuseppe e seu filho Augusto montaram um comércio, que se denominava Augusto Famer & Irmãos, onde vendiam parte da produção de suas propriedades no interior do município e também de outros colonos e comerciantes. Com a morte de Giuseppe, seu filho Augusto e sua mulher deram andamento nos negócios da família. Junto dos prédios da Biblioteca Municipal, do Hotel Amaral e do Sobrado dos Bastos, o Casarão dos Famer é uma das construções mais antigas e importantes da história do Município de Osório. As marcas do tempo que a fachada ostenta, em meio à samambaias e a madeira carcomida, sustentam muitas das histórias que construíram e moldaram a alma dos antigos Osorienses. E que só por isso merece ser preservada.

segunda-feira, 18 de abril de 2022

A Antiga Estação Férrea de Jaguari - RS


A Antiga Estação Férrea de Jaguari - RS. Antiga estação férrea da Cidade Gaúcha de Jaguari, Município localizado na região central do estado do RS. A estação de Jaguari foi inaugurada em 1919, de forma provisória. O prédio atual que aparece no vídeo foi inaugurado no ano de 1935.
Esta estação fazia parte do ramal de São Borja, que partia da estação de Dilermando de Aguiar, na linha Porto Alegre-Uruguaiana. O ramal foi aberto em 1919 até a estação de Jaguari, e somente 17 anos depois chegou a cidade de Santiago, para finalmente alcançar a cidade de São Borja em 1938, onde se encontraria com a linha Itaqui-Uruguaiana-São Borja.

O prédio da Estação Ferroviária de Jaguari é umas das edificações mais antigas da cidade, e nele residiu o artista plástico Iberê Camargo, que morou no local com o seu pai que era ferroviário. Registros apontam que até 1981 passavam por ali trens de passageiros. Hoje tanto o prédio quanto a linha encontram-se abandonados. A região onde hoje se assenta o Município de Jaguari teve como primeiros habitantes os índios Guaranis, até o início do século XVII. No ano de 1632 chegaram os padres jesuítas, oriundos da América Espanhola, em decorrência dos movimentos missioneiros que fundaram as Missões Jesuíticas do RS.

A região onde hoje se assenta o Município de Jaguari teve como primeiros habitantes os índios Guaranis, até o início do século XVII. No ano de 1632 chegaram os padres jesuítas, oriundos da América Espanhola, em decorrência dos movimentos missioneiros que fundaram as Missões Jesuíticas do RS. Com a desativação da linha férrea, a antiga estação de Jaguari encontra-se abandonada. O prédio chegou a ser usado pela prefeitura, mas hoje resta novamente fechado. Existem estudos no ano de 2019 para a implantação de uma linha turística que ligaria a antiga estação à estação da Cidade de Santiago, no RS. Esta iniciativa, no entanto, ainda não saiu do papel e o prédio, como tantos outros patrimônios ferroviários, permanete fechado e abandonado.

Após a chegada dos colonizadores italianos, também imigraram para a região colonizadores alemães, húngaros, poloneses, russos e portugueses. No ano de 1920, Jaguari foi emancipado pelo Decreto Estadual nº 2627, de 16 de agosto. A fundação da Estação Ferroviária em 1919 foi marco histórico importante e contributivo para o progresso e a consolidação da nova localidade.

segunda-feira, 11 de abril de 2022

A Igreja de São Roque em Faxinal do Soturno RS


Igreja Matriz consagrada a São Roque, localizada no largo da praça Vicente Palotti, no centro do Município de Faxinal do Soturno, região central do estado do Rio Grande do Sul. A construção da Igreja iniciou-se no ano de 1937 e o templo foi inaugurado em 6 de janeiro de 1939. Existiram no local onde hoje está erguida a igreja duas antigas capelas, que foram demolidas para dar espaço a Atual Igreja de São Roque.
São considerados pioneiros e fundadores do Município de de Faxinal do Soturno os nomes de João Batista Zago, José Marques Ribeiro (Coronel Marques) Vicente Pigatto e Vitório de David. João Batista Zago é apontado como àquele que trouxe da Itália a imagem e a devoção a São Roque, o padroeiro de Faxinal do Soturno. No histórico de sua construção, consta como mestre de obras o nome de Luis Soldera. Apresenta belíssimas pinturas internas que representam o Novo e Antigo Testamento, que foram pintadas e concebidas entre os anos de 1955 e 1957 pelo pintor argentino Ângelo Lazzarini, auxiliado por Fiorelo Orlandi, este um morador do Município.

Ângelo Lazzarini, ou Angel Jose Lazzarini foi um pintor que se dedicou, principalmente, ao muralismo religioso, no período compreendido entre o início dos anos 30 e a primeira metade dos anos 60 do século XX. Filho de imigrantes italianos estabelecidos na Argentina, nasceu em 16 de janeiro de 1889, em Venado Tuerto, Província de Santa Fé. A paróquia de Faxinal do Soturno foi Criada em 15 de agosto de 1960, tendo como Padroeiro São Roque. São Roque é tradicionalmente considerado o protetor contra a peste e o padroeiro dos inválidos e dos cirurgiões, sendo 16 de agosto considerado o seu dia santo.

A paróquia de Faxinal do Soturno foi Criada em 15 de agosto de 1960, tendo como Padroeiro São Roque. São Roque é tradicionalmente considerado o protetor contra a peste e o padroeiro dos inválidos e dos cirurgiões, sendo 16 de agosto considerado o seu dia santo.

segunda-feira, 4 de abril de 2022

O Antigo Palacete Batista Seroni na Cidade de Santa Maria RS


O Antigo Palacete Batista Seroni na Cidade de Santa Maria RS. Prédio do Palacete Batista Seroni, construído em 1932 e localizado nas esquinas das ruas Tuiuty e Floriano Peixoto, em Santa Maria, no RS. O prédio foi tombado pelo Patrimônio Histórico Municipal no ano de 2018.
Batista Seroni é, provavelmente, o seu primeiro morador, mas não localizamos dados históricos sobre este personagem na história. Seroni é sobrenome de origem européia, e ele provavelmente tenha sido um imigrante ou descendente de imigrantes que se estabeleceu na cidade no início do século XX.
O prédio mantém, desde 1932, o mesmo aspecto em sua fachada, e foi concebido como moradia e comércio. Funcionava na parte térrea o "Armazém Seroni", onde se vendiam desde produtos coloniais a produtos industrializados. Conforme registros de 1936, no Almanak Laemmert : Administrativo, Mercantil e Industrial (RJ) - 1891 a 1940, o estabelecimento era classificado como de "Secos e Molhados". O prédio, junto do Armazém, foi adquirido em 1948 por Milady e seu marido Cirilo Costa Bebber, que deram continuidade ao comércio e, com o tempo, compraram o terreno na esquina em frente e criaram a loja "Empório Doméstico", que funcionou até o ano de 2013.
Destacam-se na construção o pavimento térreo com traços de estilo neoclássico, fachadas ricas em detalhes, uma platibanda decorada com elementos florais e sacadas com balaústres em cimento. O ano de construção consta da fachada e data do ano de 1932. A prédio foi tombado em sua totalidade: fachada, telhado, volumetria, esquadrias em madeira, adornos e relevos, forros, pisos e divisões. Representa um sobrado de alvenaria de dois pavimentos em estilo eclético com elementos de diversos outros estilos.
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