segunda-feira, 30 de maio de 2022

A Catedral do Mediador de Santa Maria - Igreja Anglicana do Brasil


A Catedral do Mediador de Santa Maria - Igreja Anglicana do Brasil. Templo da Igreja Episcipal Anglicana do Brasil localizado no centro da Cidade de Santa Maria, Estado do Rio Grande do Sul. A igreja é denominada de "Catedral do Mediador", e representa a Diocese Anglicana Sul-Ocidental, suja sede ou sé é administrada à partir da referida Catedral. A Catedral do Mediador teve suas obras iniciadas no ano de 1905, e foi inaugurada no dia 11 de novembro de 1906. Representa um projeto arquitetônico que mescla os estilos normando ao estilo gótico, que aparecem com detalhes na construção das portas e janelas.

A Torre da Catedral do Mediador possui 26 metros de altura, e os seus sinos foram importados dos EUA. Possui 14 vitrais internos que foram doados pela comunidade. Na sua inauguração, todo o templo foi iluminado com as cores da bandeira do Rio Grande do Sul, que é considerado o berço da Igreja Episcopal Anglicana no Brasil. O projeto da construção da Catedral esteve a cargo do pároco Carl Henry Clement Sergel, um ex-bancário inglês, e a construção do templo foi executada por Virgílio Cattanio. Os vitrais, as portas e as janelas do templo ainda são os originais que estiveram na inauguração do templo.

Os anglicanos chegaram ao Brasil por volta do ano de 1810, através de capelanias subordinadas à Igreja da Inglaterra, e representavam as primeiras igrejas não-romanas presentes no País. Mas apenas em 1890 o Anglicanismo buscou uma expansão no território brasileiro, à partir do trabalho de dois missionários americanos, Lucien Lee Kinsolving e James Watson Morris, que organizaram uma missão em Porto Alegre, no RS. Os Anglicanos definem a sua origem entre os antigos celtas, que tiveram a sua igreja absorvida pela Igreja Católica Romana à partir do século VI, através de Agostinho da Cantuária. Quando o Rei da Inglaterra Henrique VIII buscou a anulação de seu casamento com a Princesa da Espanha Catarina de Aragão no século XVI, ocorreu a separação entre a Igreja Inglesa e a Romana, surgindo assim a Igreja Anglicana.

O nome de "Catedral do Mediador" passou a ser adotado à partir de março do ano de 1950, quando Santa Maria passou a ser a sede da Diocese Sul-Ocidental da Igreja Anglicana do Brasil. Em 29 de outubro de 1982, através da Lei Municipal 4.627, a Catedral do Mediador passou a ser considerada Patrimônio Histórico Municipal da Cidade de Santa Maria. Em Santa Maria, os anglicanos chegaram por volta do fim do século XIX. O primeiro culto anglicano na cidade foi celebrado em 11 de fevereiro de 1900 pelo Reverendo James Morris em uma capela alugada na Rua do Comércio, atual Rua Dr. Bozano, onde estava estabelecida a Capela do Mediador.

segunda-feira, 23 de maio de 2022

O Antigo Prédio dos Caixeiros Viajantes de Santa Maria - Prédio da SUCV


Antigo edifício João Fontoura Borges, localizado no centro da Cidade de Santa Maria, RS, mais conhecido como o "Prédio da SUCV", Sociedade União dos Caixeiros Viajantes do Estado do Rio Grande do Sul. O Prédio foi construído entre os anos de 1922/23 a 1926, e inaugurado em setembro de 1926. Não há consenso sobre as datas de início das obras. Também não há consenso sobre o projeto arquitetônico da construção, que apontam para dois projetos que teriam orientado a construção do Edifício.

Um grupo de estudiosos defende que a obra seguiu projeto elaborado pela Companhia Construtora Santos, que possuia, à época da construção, escritório e diversas outras obras na cidade e no Estado do RS. Outro grupo prega que o projeto arquitetônico teria sido elaborado por Alfredo Haessler e construído pelo engenheiro Jorge Wilde e pelo mestre de obras Otto Werner. A arquitetura do Prédio da SUCV segue os elementos de um estilo eclético, com influências dos movimentos neoclássico e art nouveau. Corresponde a um dos últimos projetos arquitetônicos centenários da cidade que ainda mantém a sua originalidade na sua parte interna, além das fachadas que marcam o imaginário, a paisagem e a história da população da cidade de Santa Maria.

A Sociedade União dos Caixeiros Viajantes - SUCV foi criada no dia 20 de setembro de 1913, por 57 caixeiros viajantes com o objetivo de criar uma entidade associativa que defendesse os seus interesses e desse amparo às famílias. Surgiu como uma entidade de Pecúlio e Previdência que garantiria assistência às famílias daqueles que viessem a morrer, visto que eles eram os mantenedores da renda familiar. Santa Maria foi a cidade escolhida como a sede da sociedade por razões de apresentar, na época, uma forte atividade ferroviária sendo o principal tronco ferroviário do Estado e em razão de sua posição estratégica, pois estando no centro geográfico do Estado do RS, concentrava e facilitava o trânsito dos Caixeiros Viajantes que percorriam todas as áreas do Rio Grande do Sul.

O nome do Edifício "João Fontoura Borges" deve-se a Homenagem ao Presidente da Entidade no período de construção/inauguração do Edifício. A SUCV - Sociedade União dos Caixeiros Viajantes que iniciou como um sistema de Pecúlio e Previdência evoluiu para a União de Previdência, mudou-se para Porto Alegre e hoje corresponde a uma das maiores instituições de previdência do país, correspondendo a União Seguradora. Um Caixeiro-viajante corresponde a denominação de uma profissão antiga, na qual define uma pessoa que vende produtos fora de onde eles são produzidos. Corresponde aos antigos mascates e, nos dias de hoje, aos vendedores e representantes comerciais. Antigamente eram eles a única forma de transportar produtos entre diferentes regiões fora dos grande centros comerciais.

O prédio possui quatro pavimentos além da cobertura. Seu interior teve o cuidado de trazer referência à atividade dos Caixeiros Viajantes, que o construíram. Na entrada junto à base da escadaria, encontram-se as estátuas de Mercúrio, conhecido como o Deus Romano do Comércio, e a de Ceres, a Deusa Grega da Agricultura. Consta que o primeiro elevador da cidade de Santa Maria foi instalado no prédio da SUCV, depois de ter sido adquirido e fabricado na Alemanha, todo ele com armações de madeira. O elevador ainda encontra-se em estado funcional e em plena atividade no Edifício.

Toda a construção do prédio foi feita com materiais nobres, muitos deles importados da Europa. Antes da Construção do Prédio funcionava no local um café, de propriedade da família Aita, denominado de Café Santamariense. Ainda antes da existência do Café Santa Mariense, funcionava no local um antigo cemitério que era contíguo à primitiva Igreja da Matriz da cidade, que passou a ser demolida à partir do ano de 1888. Quando das escavações das fundações do prédio da SUCV, foram encontradas ossadas que eram provenientes deste antigo cemitério que ali existiu.

O prédio sempre foi um ícone na vida social e cultural da cidade. Recitais, concertos e reuniões políticas eram comuns em seu ambiente interno e, mais tarde, formaturas dos cursos da UFSM. Consta que o Presidente da República Getúlio Vargas fez um discurso a populares da sacada do antigo Edifício no longínquo ano de 1930. Desde o ano de 1993 as fachadas externas do Edifício eram tombadas pelo Patrimônio Histórico Municipal. No ano de 2011 o prédio foi desapropriado da SUCV, passando a pertencer ao Município de Santa Maria, com excessão do andar térreo que permanece de posse de particulares.

segunda-feira, 16 de maio de 2022

Antigas Unidades Militares de Porto Alegre RS


Video do antigo prédio da atual 8° Circunscrição do Serviço Militar ( 8° CSM), em Porto Alegre, no Centro Histórico do Estado do Rio Grande do Sul. Trata-se de um belíssimo prédio construído em estilo neoclássico, cuja construção se deu à partir do ano de 1828. O atual prédio foi construído em área de propriedade da Real Fazenda e da Irmandade de Nossa Senhora das Dores, no lugar de uma construção mais antiga ali existente e que abrigava os Armazéns Reais do Império do Brasil, datada de 1776.

O prédio antecessor a este servia de residência do Inspetor de Trem e de seu ajudante em Porto Alegre, além das funções de almoxarifado, depósito de material bélico, artilharia e armas portáteis. Também era sede da Companhia de Artífices Militares e Menores Aprendizes. O atual prédio da CSM já foi sede do Trem de Guerra (1819), do Arsenal de Guerra do RS (1829), a Casa da Pólvora, e também foi sede do Arsenal de Guerra de Porto Alegre (1851), quando tomou as configurações arquitetônicas finais dos dias atuais. Também foi sede do Estabelecimento Regional de fardamento , Equipamento e Arreamento em 1924, e do Estabelecimento Regional de Material de Intendência em 1935.

O segundo prédio que aparece no vídeo corresponde ao prédio da Comissão Regional de Obras/3, criada pelo Decreto n° 66.993 de 04 de Agosto de 1970, com sede também em Porto Alegre e localizada na rua de Setembro, número 332. Ainda na década de 1960 foi reformado e novamente entregue ao uso em 1964, sendo que em 1974 sua destinação passou a ser de Depósito Regional de Material de Intendência. Em 1984 sofreu a última reforma, e hoje serve como sede da 8° CSM, Companhia de Comando do CSM, da Seção de Inativos e Pensionistas e Almoxarifado da 3° Região Militar.

A CSO/3 é subordinada ao Quarto Grupamento de Engenharia , e esta ao Comando Militar do Sul. Sua origem remonta à Comissão Especial de Obras n° 6, instalada em Santa Maria em 15 de junho de 1956, que tinha o objetivo de atender e executar os reparos necessários nos quartéis e residências funcionais das guarnições de Santa Maria, Alegrete e Saican. O Canal Arquitetura Abandonada não conseguiu levantar maiores informações sobre o atual prédio sede da Comissão regional de Obras. Em Porto Alegre, janeiro de 2019.

A Engenharia Militar divide-se em duas vertentes: de combate e de construção. A Engenharia Militar de Combate apoia-se nas armas-base, facilitando o deslocamento das tropas amigas, reparando estradas, pontes e eliminando obstáculos à progressão e, ainda, dificultando o movimento do inimigo. Já a Engenharia Militar de Construção, em tempos de paz, colabora com o desenvolvimento nacional, construindo estradas de rodagem, ferrovias, pontes, açudes, barragens, poços artesianos e inúmeras outras obras.

segunda-feira, 9 de maio de 2022

A Arquitetura Antiga e a História do Distrito de Vila Clara - Mata RS


O Distrito de Vila Clara corresponde ao primeiro distrito da Cidade de Mata, e localiza-se a 7 quilômetros da sede do Município. No passado, Vila Clara junto do Distrito sede da Mata e a região do Taquarichim formavam o 4º Distrito da cidade de São Vicente do Sul. O Distrito de Vila Clara abrange as localidades de São José do Ouro, Chacrinha, Linha Holanda, Boa Esperança, São José e Linha Canoa. O local teve o seu maior cíclo de desenvolvimento quando funcionava na localidade a antiga estação férrea da Clara, hoje desativada e abandonada.

Vila Clara deve o seu nome a Clara Textor, nascida em 5 Março de 1832, em Schönwald, Regensburg, Alemanha. Clara, junto de seu esposo Ludwig Theodor Viggo Thompson foram os primeiros proprietários na região, chegando ao local no final do século XIX. A foto da casa que supostamente teria pertencido ao casal encontra-se no final do vídeo. Thompson foi fundador de uma colônia alemã no Rincão São Pedro que nesta época era distrito de Santa Maria e corresponde ao hoje município de São Pedro do Sul. É bem provável que a colônia alemã fundada por Thompson seja a colônia cuja sede ficava em Clara. O nome "Clara" da colônia teria sido uma homenagem à sua segunda mulher, então Clara Textor.

A Antiga estação férrea de Clara foi inaugurada em 1919, juntamente com o trecho inicial do ramal de São Borja. O nome foi dado também em homenagem à alemã pomerana Clara Textor, esposa de Vigo Thompson. Nos anos 1940 o nome da estação foi alterado para Clara. O ciclo ferroviário representou o maior surto de desenvolvimento da comunidade. Atualmente a economia do distrito gira em torno das lavouras de arroz cultivadas nas várzeas do Rio Toropi. O distrito faz divisa com os Município de São Pedro do Sul e o Município de Toropi, cuja travessia sobre o rio é feita através de uma balsa. No local também há uma grande ponte férrea abandonada sobre o rio que já foi considerada a maior ponte em vão livre da América Latina.

Os casarões que aparecem no vídeo correspondem ao núcleo central que se estabeleceu ao largo da antiga estação férrea. São antigas casas residenciais e comerciais mistas e prédios industriais (engenho de arroz) onde as famílias de colonizadores se estabeleciam e iniciavam os seus comércios, locais que eram considerados pontos estratégicos em razão da logística da ferrovia e da estação presente no distrito. Com o encerramento das atividades férreas, o declínio e o rearranjo dos comércios e da economia local foram inevitáveis.

segunda-feira, 2 de maio de 2022

A História da Antiga Igreja e da Biblioteca da Cidade de Osório no RS


A História da Antiga Igreja e da Biblioteca da Cidade de Osório no RS. Igreja de Nossa Senhora da Conceição, localizada no Centro Histórico da cidade de Osório, no RS. A construção atual é um remodelamento de 2011 dos antigos prédios que vêm sendo reformados desde 1742, quando da construção da primeira capela no local. A primeira Capela remonta ao ano de 1742, quando escravos encontraram, em arroio afluente do atual Arroio do Camarão, uma imagem da santa padroeira. Em 1773, foi criada a Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Arroio (atual Osório), com a Igreja Matriz sendo construída no período de 1793 a 1873. Por volta de 1900, o campanário lateral foi demolido. A foto deste período encontra-se ao final do vídeo.
Na década de 1950 surgiu um projeto para a Igreja Matriz, a qual teve as paredes construídas ao redor da antiga. Com a criação da Diocese de Osório em 1999-2000, a Igreja Matriz passou a ser designada Catedral. Em 2011 um novo modelo foi proposto, com a intenção de alteração na fachada frontal e a permanência de uma única torre para recuperar o valor histórico da construção, remetendo à primeira Igreja de 1742, como marco visual da cidade. A cidade de Osório origina-se dos tempos e das ações de proteção e colonização das terras extremas do território imperial do Brasil. No final do século XVII, a faixa litorânea tornou-se conhecida pelos paulistas e lagunenses que vinham em busca de gado e também era caminho das tropas que faziam o enfrentamento das invasões castelhanas. O caminho ficou conhecido como Estrada da Laguna.
Em 1857, o município de Osório emancipou-se de Santo Antônio da Patrulha, e se chamava Conceição do Arroio. Em 1934 Conceição do Arroio passou a chamar-se Osório, por ordem do interventor federal Flores da Cunha, em homenagem ao marechal Manuel Luís Osório, patrono da Cavalaria Nacional, supostamente ali nascido. No entanto, pesquisas posteriores apontam que o General Osório nasceu no município de Tramandaí, próximo aos limites com Osório, local transformado em parque histórico com o seu nome. O prédio que aparece no vídeo corresponde a sede da Biblioteca Pública Municipal, que funciona no local desde o ano de 1985. O prédio corresponde à sede da antiga Prefeitura da Cidade, e foi construído em meados do século XIX. A área conta com amplo espaço cultural do Município de Osório e faz parte do Centro Histórico Municipal.

A primeira Biblioteca criada no Município chamava-se Sociedade Amor à Arte, organizada em 1887. Em 15 de março de 1943, por decreto municipal, foi criada a primeira biblioteca pública de Osório, que logo passou a denominar-se Fernandes Bastos. Até 1952 ela permaneceu no andar superior deste prédio, então sede da Prefeitura. Passou então por diferentes locais até ser instalada em definitivo no seu local atual. Fernandes Bastos, que empresta o nome à Biblioteca do Município de Osório, foi intendente municipal quando o Município ainda chamava-se Conceição do Arroio, em três oportunidades, 1912-1915, 1920-1924 e 1928-1934. Era Porto-alegrense, intelectual e fluente em alemão e francês. Foi autor do livro Noite de Reis, de 1935, e, como correspondente do IHGRS, autor de inúmeros artigos sobre a história do Litoral Norte gaúcho.

segunda-feira, 25 de abril de 2022

O Antigo Casarão dos Famer - Osório RS


Antigo Casarão dos Famer, localizado na cidade de Osório, na região do Litoral Norte do Estado do Rio Grande do Sul. O Casarão consta como constrído em 1883, e segue o estilo arquitetônico das construções feitas por imigrantes italianos que chegaram ao Brasil no final do século XIX. Embora o sobrenome Famer tenha se perpetuado, não foram eles que construíram o Casarão. O imigrante italiano Giuseppe Famer, nascido na Comuna de Verdello, província de Bergamo, na Itália, comprou de Pedro Anflor uma propriedade de 6.700m2 em Osório, na antiga Rua Sepúlveda, hoje João Sarmento. Nesta propriedade já existia a casa deste vídeo, que passou a ser conhecida desde então como o Casarão dos Famer.

Antes de mudarem residência para a cidade de Osório, os Famer se estabeleceram em Vila Nova, na cidade de Santo Antônio da Patrulha, após partirem do Porto de Gênova, na Itália, em 1892. Mais tarde mudaram-se para a localidade de Bocó, no Morro da Borússia. Somente em 1920 é que compraram a atual propriedade onde já se encontrava construído o casarão. Augusto e sua Esposa morreram cedo, deixando o filho Hermínio Famer ainda menor de idade. O Irmão de Augusto, José Famer Filho passou então a ser o tutor de Hermínio, que mais tarde casou-se com Sunta Goldani, tendo nove filhos naturais e três adotivos. André Famer, o filho mais velho do Casal foi quem assumiu os negócios da família. Em meados dos anos 1970, o comércio fechou as portas. E com a morte de André em 2001, a casa passou a pertencer às suas filhas.

Estabelecidos na Cidade de Osório, Giuseppe e seu filho Augusto montaram um comércio, que se denominava Augusto Famer & Irmãos, onde vendiam parte da produção de suas propriedades no interior do município e também de outros colonos e comerciantes. Com a morte de Giuseppe, seu filho Augusto e sua mulher deram andamento nos negócios da família. Junto dos prédios da Biblioteca Municipal, do Hotel Amaral e do Sobrado dos Bastos, o Casarão dos Famer é uma das construções mais antigas e importantes da história do Município de Osório. As marcas do tempo que a fachada ostenta, em meio à samambaias e a madeira carcomida, sustentam muitas das histórias que construíram e moldaram a alma dos antigos Osorienses. E que só por isso merece ser preservada.

segunda-feira, 18 de abril de 2022

A Antiga Estação Férrea de Jaguari - RS


A Antiga Estação Férrea de Jaguari - RS. Antiga estação férrea da Cidade Gaúcha de Jaguari, Município localizado na região central do estado do RS. A estação de Jaguari foi inaugurada em 1919, de forma provisória. O prédio atual que aparece no vídeo foi inaugurado no ano de 1935.
Esta estação fazia parte do ramal de São Borja, que partia da estação de Dilermando de Aguiar, na linha Porto Alegre-Uruguaiana. O ramal foi aberto em 1919 até a estação de Jaguari, e somente 17 anos depois chegou a cidade de Santiago, para finalmente alcançar a cidade de São Borja em 1938, onde se encontraria com a linha Itaqui-Uruguaiana-São Borja.

O prédio da Estação Ferroviária de Jaguari é umas das edificações mais antigas da cidade, e nele residiu o artista plástico Iberê Camargo, que morou no local com o seu pai que era ferroviário. Registros apontam que até 1981 passavam por ali trens de passageiros. Hoje tanto o prédio quanto a linha encontram-se abandonados. A região onde hoje se assenta o Município de Jaguari teve como primeiros habitantes os índios Guaranis, até o início do século XVII. No ano de 1632 chegaram os padres jesuítas, oriundos da América Espanhola, em decorrência dos movimentos missioneiros que fundaram as Missões Jesuíticas do RS.

A região onde hoje se assenta o Município de Jaguari teve como primeiros habitantes os índios Guaranis, até o início do século XVII. No ano de 1632 chegaram os padres jesuítas, oriundos da América Espanhola, em decorrência dos movimentos missioneiros que fundaram as Missões Jesuíticas do RS. Com a desativação da linha férrea, a antiga estação de Jaguari encontra-se abandonada. O prédio chegou a ser usado pela prefeitura, mas hoje resta novamente fechado. Existem estudos no ano de 2019 para a implantação de uma linha turística que ligaria a antiga estação à estação da Cidade de Santiago, no RS. Esta iniciativa, no entanto, ainda não saiu do papel e o prédio, como tantos outros patrimônios ferroviários, permanete fechado e abandonado.

Após a chegada dos colonizadores italianos, também imigraram para a região colonizadores alemães, húngaros, poloneses, russos e portugueses. No ano de 1920, Jaguari foi emancipado pelo Decreto Estadual nº 2627, de 16 de agosto. A fundação da Estação Ferroviária em 1919 foi marco histórico importante e contributivo para o progresso e a consolidação da nova localidade.

segunda-feira, 11 de abril de 2022

A Igreja de São Roque em Faxinal do Soturno RS


Igreja Matriz consagrada a São Roque, localizada no largo da praça Vicente Palotti, no centro do Município de Faxinal do Soturno, região central do estado do Rio Grande do Sul. A construção da Igreja iniciou-se no ano de 1937 e o templo foi inaugurado em 6 de janeiro de 1939. Existiram no local onde hoje está erguida a igreja duas antigas capelas, que foram demolidas para dar espaço a Atual Igreja de São Roque.
São considerados pioneiros e fundadores do Município de de Faxinal do Soturno os nomes de João Batista Zago, José Marques Ribeiro (Coronel Marques) Vicente Pigatto e Vitório de David. João Batista Zago é apontado como àquele que trouxe da Itália a imagem e a devoção a São Roque, o padroeiro de Faxinal do Soturno. No histórico de sua construção, consta como mestre de obras o nome de Luis Soldera. Apresenta belíssimas pinturas internas que representam o Novo e Antigo Testamento, que foram pintadas e concebidas entre os anos de 1955 e 1957 pelo pintor argentino Ângelo Lazzarini, auxiliado por Fiorelo Orlandi, este um morador do Município.

Ângelo Lazzarini, ou Angel Jose Lazzarini foi um pintor que se dedicou, principalmente, ao muralismo religioso, no período compreendido entre o início dos anos 30 e a primeira metade dos anos 60 do século XX. Filho de imigrantes italianos estabelecidos na Argentina, nasceu em 16 de janeiro de 1889, em Venado Tuerto, Província de Santa Fé. A paróquia de Faxinal do Soturno foi Criada em 15 de agosto de 1960, tendo como Padroeiro São Roque. São Roque é tradicionalmente considerado o protetor contra a peste e o padroeiro dos inválidos e dos cirurgiões, sendo 16 de agosto considerado o seu dia santo.

A paróquia de Faxinal do Soturno foi Criada em 15 de agosto de 1960, tendo como Padroeiro São Roque. São Roque é tradicionalmente considerado o protetor contra a peste e o padroeiro dos inválidos e dos cirurgiões, sendo 16 de agosto considerado o seu dia santo.

segunda-feira, 4 de abril de 2022

O Antigo Palacete Batista Seroni na Cidade de Santa Maria RS


O Antigo Palacete Batista Seroni na Cidade de Santa Maria RS. Prédio do Palacete Batista Seroni, construído em 1932 e localizado nas esquinas das ruas Tuiuty e Floriano Peixoto, em Santa Maria, no RS. O prédio foi tombado pelo Patrimônio Histórico Municipal no ano de 2018.
Batista Seroni é, provavelmente, o seu primeiro morador, mas não localizamos dados históricos sobre este personagem na história. Seroni é sobrenome de origem européia, e ele provavelmente tenha sido um imigrante ou descendente de imigrantes que se estabeleceu na cidade no início do século XX.
O prédio mantém, desde 1932, o mesmo aspecto em sua fachada, e foi concebido como moradia e comércio. Funcionava na parte térrea o "Armazém Seroni", onde se vendiam desde produtos coloniais a produtos industrializados. Conforme registros de 1936, no Almanak Laemmert : Administrativo, Mercantil e Industrial (RJ) - 1891 a 1940, o estabelecimento era classificado como de "Secos e Molhados". O prédio, junto do Armazém, foi adquirido em 1948 por Milady e seu marido Cirilo Costa Bebber, que deram continuidade ao comércio e, com o tempo, compraram o terreno na esquina em frente e criaram a loja "Empório Doméstico", que funcionou até o ano de 2013.
Destacam-se na construção o pavimento térreo com traços de estilo neoclássico, fachadas ricas em detalhes, uma platibanda decorada com elementos florais e sacadas com balaústres em cimento. O ano de construção consta da fachada e data do ano de 1932. A prédio foi tombado em sua totalidade: fachada, telhado, volumetria, esquadrias em madeira, adornos e relevos, forros, pisos e divisões. Representa um sobrado de alvenaria de dois pavimentos em estilo eclético com elementos de diversos outros estilos.
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segunda-feira, 28 de março de 2022

A CASA ABANDONADA DOS PORONGOS


Casa abandonada no Distrito de Arroio do Só, Município de Santa Maria, RS. A casa em ruinas está dentro de área privada e particular, e parece ter sido um local onde se desenvolveu o beneficiamento de porongos, hoje a atividade econômica principal do Distrito. Não conseguimos maiores informações sobre o local. No passado, Arroio do Só desenvolveu-se em razão da ferrovia que passa no local, tendo sido um importante polo regional de desenvolvimento em razão de abrigar uma estação ferroviária. Com a privatização de RFFSA e o fechamento da estação férrea, o distrito sofreu uma vertiginosa queda em sua importância regional.

O porongo é proveniente da planta porongueiro, da família das Cucurbitaceae, onde se encontram também a melancia, o melão e a abóbora. De origem africana, é encontrado em praticamente todos os países. Dele sai a sua utilização para a confecção de cuias para o chimarrão e também para o uso em artesanatos diversos. No Distrito funcionam diversas agroindustrias que fazem desde o plantio ao beneficiamento dos porongos em sua versão final para o consumo. O processo de instalação das agroindústrias se deu à partir de 1995. No entanto, o cultivo de porongos ocorre desde antes da metade do século XX na região.

A cultura do porongo está diretamente relacionada com a agricultura familiar. A renda do plantio e do seu beneficiamento melhora a qualidade de vida dos envolvidos em sua cadeia produtiva e proporciona as condições mínimas para uma subsistência no campo, evitando-se assim o grande êxodo que atingiu o distrito quando da desimplantação da malha ferroviária que movimentava a economia do lugar.

segunda-feira, 21 de março de 2022

Casas Antigas Italianas na Localidade de Sanga da Areia em Jaguari/Santi...


Casas Antigas Italianas na Localidade de Sanga da Areia em Jaguari/Santiago RS. Casas localizadas na localidade de Sanga da Areia, Distrito de Fontana Freda, interior do Município de Jaguari - RS. A localidade deve o nome a um pequeno riacho, denominado de Sanga da Areia, que cruza no local. A localidade faz divisa com o Distrito de Ernesto Alves, município de Santiago, e corresponde a uma localidade do interior, onde se estabelecem pequenas propriedades rurais onde se desenvolve a agricultura de subsistência.

Jaguari é um município que teve como primeiros habitantes os índios guaranis. Em 1889 começou um núcleo colonial a margem direita do Rio Jaguari. A urbanização foi planejada e demarcada pelo engenheiro José Manuel de Siqueira Couto, acompanhado dos primeiros imigrantes italianos que chegaram ao local. Após os italianos, estabeleceram-se na região imigrantes húngaros, poloneses, russos, brasileiros, alemães e outros. O Distrito de Jaguari foi criado pelo Ato Municipal de 15.02.1893, pertencente ao município vizinho de São Vicente do Sul.

Jaguari localiza-se a uma latitude 29º29'51" sul e a uma longitude 54º41'24" oeste, estando a uma altitude de 112 metros. . O município é banhado pelo rio Jaguari, afluente do rio Ibicuí, localizado na na Região Centro-oeste do estado do RS. Como aspectos curiosos de sua história, a cidade de Jaguari, durante a Revolução Federalista de 1923 e 1924 contra o Governador Borges de Medeiros, foi ocupada pelas forças revolucionárias que tomaram a cidade, sendo logo depois reconquistada pelas forças governistas. As casas mostradas neste vídeo remontam a época das primeiras gerações de colonizadores, preservadas pelos seus descendentes que ainda residem nas propriedades. A palavra "Jaguari", do idioma guarani, significa "Rio do Jaguar".


segunda-feira, 14 de março de 2022

O CLUBE ABANDONADO DA VILA CLARA MATA RS


Antigo Clube SER CLARENSE - Sociedade Esportiva Recreativa Clarense, localizado no Distrito de Vila Clara, Interior do Município de Mata, no estado do Rio Grande do Sul. Quase não encontramos registros sobre o antigo clube, que encontra-se abandonado a pelo menos 20 anos confome relato de um morador local. O antigo prédio tem projeto de tornar-se um ginásio de esportes, mas entraves quanto a dissolução da sociedade e a destinação do patrimônio atrapalham o projeto.

Conforme relato do amigo Renato Paz Xavier, cujo avô residiu por muito tempo na localidade, o clube tem em torno de 100 anos de fundação. Em sua infância, quando a antiga estação férrea de Vila Clara funcionava a todo o vapor, ele passava as férias na casa de seu avô e ainda lembra de passar constantemente na frente do antigo prédio hoje abandonado.

Renato confirma a existência da antiga cancha ou quadra de bolão, um jogo muito semelhante ao boliche moderno, e que era o ponto alto das atividades do clube, que teria sido fundado por imigrantes de origem alemã, polaca e holandesa. Posteriormente foi construída uma cancha de jogo de bochas ao fundo do antigo clube, quando o jogo de bolão já havia perdido espaço e praticantes.

Vila Clara foi fundada por Ludwig Theodor Viggo Thompson, um dinamarquês que imigrou ao Brasil para a cidade de São Leopoldo, mudando-se mais tarde para Santa Cruz do Sul e depois para São Pedro do Sul, cidade que hoje faz divisa com o Distrito pelas águas do Rio Toropi, delimitando o território de seu Município sede. Vila Clara foi fundada para ser colônia de imigrantes alemães por Thompson, que vendia os lotes e coordenava os assentamentos iniciais. O nome da localidade deve-se à homenagem que Thompson fez a sua segunda esposa, que chamava-se Clara Textor Thompson, cuja foto consta no final deste vídeo.

segunda-feira, 7 de março de 2022

Os Casarões da Rua dos Andradas de Porto Alegre RS


Antigos casarões localizados na rua dos Andradas, centro Histórico da Cidade de Porto Alegre, no Estado do Rio Grande do Sul. Integram o projeto Monumenta, promovido pelo Ministério da Cultura que promove incentivos e cursos para a sua preservação. Os primeiros casarões que aparecem neste vídeo foram restaurados através do projeto Monumenta, cujo objetivo é a recuperação física de sítios históricos urbanos brasileiros e seus monumentos de arquitetura.
O Programa Monumenta abrange 26 cidades históricas brasileiras e dispõe de recursos oriundos do orçamento federal, de financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e de recursos das prefeituras onde o programa está inserido, contando com a parceria da UNESCO e da Caixa Econômica Federal. Os casarões restaurados são testemunhos das mudanças ocorridas na cidade de Porto Alegre. Construídos na segunda metade do século XIX para servir de residência às famílias abastadas, foram perdendo prestígio ao longo do século XX, transformando-se primeiro em pensão, depois em fábrica de instrumentos musicais e ainda em loja de móveis.

Os imóveis foram adquiridos pelo atual proprietário de uma empresa de construção. Com a oportunidade oferecida pelo Projeto Monumenta, aliado ao desejo de preservação do senhor Ciro Comiran, as fachadas ecléticas que marcaram a arquitetura de Porto Alegre nas primeiras décadas do século passado foram preservadas. Por muito pouco não tiveram o mesmo destino de outros casarões que formavam o antigo alinhamento da mais tradicional rua da cidade, que foram demolidos para abrigar estacionamentos. Escondidas por tapumes, por cerca de trinta anos estas construções foram imperceptíveis à vista dos porto-alegrenses.

O vídeo traz ainda a visão de outro casarão histórico que abriga uma antiga e tradicional loja de livros da Capital. Os casarões estão localizados a poucos metros do antigo hotel Magestic, hoje casa de cultura Mário Quintana. Ali morou o poeta das Ruas de Porto Alegre.