segunda-feira, 29 de agosto de 2022

A História da Igreja Que Desafiou o Império do Brasil


A História da Igreja Que Desafiou o Império do Brasil. Igreja da Comunidade Evangélica de Confissão Luterana da Cidade de Santa Maria, no RS, localizada em frente à praça dos bombeiros. O templo, construído no ano de 1873, domina a paisagem e originou-se da antiga comunidade evangélica luterana da cidade. Os primeiros imigrantes alemães que chegaram a Santa Maria fixaram-se na cidade por volta do ano de 1829, e eram oriúndos do 28 Batalhão de Caçadores, formado por militares que haviam sido contratados pelo governo imperial do Brasil, no ano de 1824, para lutarem na Guerra Cisplatina, que ocorreu de 1825 a 1828, entre Brasil e Argentina, pela posse da Província de Cisplatina, atual território do Uruguai.

Esta comunidade surgiu no ano de 1866, quando foi fundada a Deutsche Evangelische Gemeinde, que atualmente constitui-se na Comunidade Evangélica de Confissão Luterana de Santa Maria, mantenedora do local. Teve como primeiros diretores: Presidente Wilhelm Fischer; Secretário: Carl Friedrich Theodor Poetke; Tesoureiro: Heinrich Druck; Assistentes: Heinrich Eggers, Phillip Jacob Schirmer, Abraham Cassel e Johann Heinrich Drustz, e como pastor o Reverendo Hugo Alexandre Klein. O templo foi construído por João Miguel Adamy, conhecido por ser um dos fundadores da Colônia alemâ de Pinhal, atual município de Itaara. A inauguração se deu em 14 de dezembro de 1873, sem a conclusão da torre que atualmente abriga os sinos da igreja.

Os sinos instalados na torre tem os seguintes nomes: “Ehre sei Gott in der Höhe”(Glória a Deus nas alturas), “Frieden auf Erden” (Paz na terra) e “Den Menschen ein Wohlgefallen”(Às pessoas a quem ele quer bem). Nos três sinos se encontra a seguinte inscrição: GEGOSSEN ANNO 1885 FÜR DIE EVANG. GEMEINDE ZU STA MARIA DA BOCCA DO MONTE BRASILIEN (Fundido no ano de 1885 para a Comunidade Evangélica de Santa Maria da Bocca do Monte, Brasil). No ano de 1885 a Comunidade Evangélica encomendou cinco sinos, que foram fundidos na Cidade de Bochum, na Alemanha, tendo chegado à cidade em agosto de 1886. Destes, três destinavam-se à Igreja de Santa Maria e os outros dois eram destinados à Igreja filial do Pinhal, hoje Município de Itaara. A torre foi concluída no ano de 1877 e os sinos instalados nela 10 anos depois, no ano de 1887.

Em maio de 1877 o chefe da polícia do RS ameaçou a comunidade com um processo por transgressão da lei. Mas por intervenção do vice-presidente do RS, encaminhou-se um requerimento à Câmara no Rio de Janeiro, reivindicando-se igualdade de direitos religiosos, que foi concedida 05 dias após, garantindo à comunidade a realização de cultos no templo. A construção da torre e a construção dos sinos infringiu o artigo 5 da Constituição do Império do Brasil, que dizia: "A religião católica apostólica romana continuará a ser a religião do Estado. Todas as demais religiões serão toleradas, em casas para tanto destinadas, sem qualquer forma exterior de templo”.

Em agosto do ano de 1942, durante a segunda guerra mundial, o templo e a casa paroquial foram alvos de movimentos anti-germânicos. O local foi invadido e destruídos todos os objetos e arquivos históricos do local. Pouco restou da construção original, salvo a torre, as paredes externas e alguns complementos. Somente no ano de 1945, mediante um plano de contribuições, voltou-se à restauração e reequipamento da Igreja, casa pastoral e demais dependências.

segunda-feira, 22 de agosto de 2022

O Casarão Abandonado da Cidade de Silveira Martins


Casarão abandonado onde funcionou um antigo estabelecimento comercial denominado de "Açougue do Povo", localizado no centro da Cidade de Silveira Martins, na região central do Estado do Rio Grande do Sul. O áudio em execução traz a voz do Sr. cujo sobrenome é Comoretto, um antigo funcionário do local que trabalhou por 32 anos no local. Por razões de ordem pessoal, apenas o áudio de sua voz será exibido neste vídeo.

O Sr. Comoretto traz um relato vivo da história do lugar e dos tempos de glória do estabelecimento comercial que era, á sua época, o único açougue da Cidade. Ao mesmo tempo, nos traz a nostalgia e a tristeza que se abateu e tomou conta do antigo casarão. Além de abastecer a Cidade de Silveira Martins, o açougue fornecia carnes nos principais supermercados da Cidade vizinha de Santa Maria, cidade hoje com quase 300.000 habitantes. Chegou-se a abater 450 cabeças de ovelhas num único dia, além do abate tradicional. conforme relato impressionante do Sr. Comoretto. Tudo isso num pequeno açougue numa cidade interiorana.

O Casarão foi construído por volta da década de 1950, e representa um estilo eclético de transição, com destaque para uma platibanda com elementos geométricos o a moldura nas esquadrias das janelas. A fachada ainda mantém-se intacta, mas a cobertura de telhas de cerâmica já começa a ruir completamente. Vitélio Zago, que empresta o seu nome à rua em frente ao Casarão, foi quem iniciou o comércio de Açougue no local, quando construiu um anexo ao lado da casa para o exercício da atividade, pelos ídos da década de 1960. Mais tarde, o negócio foi mantido por seu filho Nelson Zago e pelo neto, Valdomiro Zago.

O Casarão foi construído por Sílvio Trevisan, com a finalidade de servir como sua residência. Posteriormente foi alugado para a família Culau e, em sequência, abrigou o consultório de um dentista. Posteriormente foi adquirido pela família Zago, que detém a propriedade do imóvel até os dias da gravação deste vídeo. A Açougue do Povo funcionou no local até o final e início das décadas de 1990/2000, quando foi definitivamente fechado. Malvina Antonello Zago, esposa de Nelson Zago foi a última moradora do antigo casarão.

segunda-feira, 15 de agosto de 2022

O Antigo Moinho de Farinha da Cidade de Faxinal do Soturno


O Antigo Moinho de Farinha da Cidade de Faxinal do Soturno. Prédio do Antigo Moinho Zago, localizado no centro da cidade de Faxinal do Soturno, Estado do RS. Originalmente o prédio foi sede de uma Cooperativa, no início do Século XX, tendo sido adquirido pelo pai e pelo tio de Benjamin Santo Zago no ano de 1914. Benjamin Zago teria sido então o seu primeiro administrador.
O moinho passou a denominar-se de "Firma Zago e Irmão". No ano de 1947 foram adquiridos os equipamentos de funcionamento do moinho, muitos deles em uso até os dias de hoje. Desde o ano de 1966 o Moinho Zago tem a razão social de Benjamin Zago Indústria Moageira LTDA.

O complexo do moinho apresenta silos de armazenamento de grãos feitos de concreto. Estes silos são usados por indústrias principalmente pois nestas estruturas os grãos podem ficar armazenados por até quatro safras sem perder a qualidade. Isso acontece porque esse tipo de silo é hermético, ou seja, as paredes de concreto retêm o calor, proporcionando aos grãos uma conservação melhor. A referência ao SISTEMA BUHLER que aparece no topo da torre do Moinho Zago se referencia ao sistema tecnológico utilizado na implantação do negócio, desenvolvida pela empresa Suiça Bühler, fundada em 1860 na cidade de Uzwil, empresa esta que hoje representa uma holding que opera em mais de 140 países, com mais de 30 unidades de produção e 100 centros de serviços pelo mundo.
O Moinho Zago é uma das indústrias mais antigas da Cidade de Faxinal do Soturno, perpetuando-se no imaginário das sucessivas gerações da cidade que consomem os seus produtos. Ali são produzidas farinhas de trigo e derivados até os dias de hoje.

segunda-feira, 8 de agosto de 2022

A Igreja de São Vicente Ferrer em São Vicente do Sul


A Igreja de São Vicente Ferrer em São Vicente do Sul. Igreja Matriz da Cidade de São Vicente do Sul, região central do Estado do Rio Grande do Sul. O templo, construído em estilo gótico, é consagrado a São Vicente Ferrer, um religioso nascido na Espanha em 23 de janeiro do ano de 1350, e falecido na frança, em Vannes, no dia 05 de abril de 1419. A igreja atual foi construída no local onde havia uma antiga capela jesuítica, tendo a obra do templo sido conduzida pelos irmãos Brondani. A inauguração da atual igreja se deu no dia 27 de janeiro de 1946, com missa celebrada pelo padre Pedro Protásio Wastowiski.

A redução jesuítica foi dizimada com a invasão dos Bandeirantes vindos de São Paulo, e os índios dispersaram-se. Mais tarde, o Padre Cristóvão de Mendonza instalou no atual território do Município uma estância de criação de gado, dando-lhe o nome de São Vicente Ferrer. Na praça em frente a igreja, no ano de 1632, foi fundada a Redução Jesuítica de São José, pelo Padre Cristóvão de Mendonza. A redução abrigou 5.800 índios, que eram chefiados pelo Cacique Carapé. Todo o território de São Vicente do Sul, nesta época, pertencia à Coroa e ao Reino de Espanha.

São Vicente Ferrer era um Frade da ordem dos Dominicanos, uma ordem de Pregadores também conhecida por Ordem de São Domingos, uma ordem religiosa católica que tem como objetivo a pregação da palavra e mensagem de Jesus Cristo e a conversão ao cristianismo, tendo sido Fundada em Toulouse, na França, em 22 de Dezembro de 1216 por São Domingos de Gusmão. O território de São Vicente do Sul passou ao domínio de Portugal à partir do ano de 1801, quando Manoel Pedroso e Borges do canto comandaram a conquista da região das Missões. O Município de São Vicente do Sul foi criado no mês de Janeiro de 1883, tendo sido até então parte dos Municípios de Rio Pardo, Cachoeira do Sul, Caçapava do Sul e São Gabriel.

A imagem de São Vicente Ferrer é representada com asas, em razão dos incansáveis e rápidos deslocamentos que o religioso fazia pelos territórios da França, Espanha e Itália em suas pregações. Ainda em vida era apelidado de "Anjo" por seus saberes e virtudes. A paróquia de São Vicente do sul foi criada em 1876 e hoje pertence à Diocese de Santa Maria, sendo constituída por 21 comunidades. São Vicente Ferrer foi um dos maiores pregadores da Igreja do segundo milênio e o maior pregador do século XIV.

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

O Chalé Escondido da Antiga Avenida Ipiranga em Santa Maria


Video gravado em janeiro de 2020, na Cidade de Santa Maria - RS. Mostra o chalé da Rua José Bonifácio que ressurgiu na paisagem urbana da cidade em razão da demolição de antigos casarões que existiam na esquina das Ruas Professor Braga, intersecção com o fim da Avenida Presidente Vargas e o início da Rua José Bonifácio. Os casarões da esquina e que escondiam o agora novamente revelado Chalé foram demolidos para darem espaço a uma unidade de uma rede nacional de farmácias, já em funcionamento. No final deste vídeo existe uma foto destes casarões antes de sua demolição, e que abrigavam em seu final uma unidade de CFC - Centro de Formação de Condutores e duas clínicas médicas.

O chalé provavelmente tenha sido construído entre as décadas de 1940 a 1960, e mistura elementos de estilos arquitetônicos Neoclássicos com características do movimento Art Deco, que surgiu no Brasil no começo da década de 1920, com a contribuição de pintores como John Graz, decoradores como Regina Gomide Graz e escultores como Victor Brecheret. O Casarão que aparece no vídeo é do início do século XX, e abriga há muitos anos uma clínica de oftalmologia, tendo a sua fachada original ainda preservada. Detalhe dos ornamentos aparecem neste vídeo em perspectiva. Uma foto do início do século da praça Roque Gonzales, que fica em frente, é mostrada no final do vídeo onde o casarão pode ser visto já construído. Representa uma das últimas construções ainda em pé deste período na região em que se encontra.

A Placa que encontra-se na fachada do Casarão faz referência a antiga denominação da Avenida Presidente Vargas, que foi denominada em seus primórdios de Estrada da Aldeia e logo depois, de Avenida Ipiranga. Foi obra do vereador e presidente da Camara Municipal, Sr. Gaspar Pereira da Silva, que realizou projeto de lei para ligar a Av. Ipiranga, hoje Predisente Vargas, até a Rua do Acampamento, através do trecho que hoje corresponde à Rua José Bonifácio. Monumentos da Praça Roque Gonzales, que fica em frente ao casarão anterior. Estátua em homenagem a Marcelino Champagnat. A estátua foi inaugurada em 1940 e é uma homenagem a Marcelino Champagnat, hoje beatificado: São Marcelino Champagnat. No dia 6 de junho comemora-se o Dia de São Marcelino Champagnat, fundador do Instituto dos Irmãos Maristas.

O Irmão Weibert foi o chefe da missão dos irmãos maristas quando a congregação religiosa francesa se estabeleceu no Estado do Rio Grande do Sul. Os irmãos maristas realizaram extraordinária obra educacional no Rio Grande do Sul e demais estados da região sul. Fundaram dezenas de colégios e, inclusive, a PUC _ Pontifícia Universidade Católica de Porto Alegre. A praça em questão corresponde a Praça Roque Gonzales, e localiza-se mais especificamente em frente ao Hospital de Caridade Astrogildo de Azevedo. É uma homenagem a Roque Gonzales de Santa Cruz, um padre jesuíta natural do Paraguai que entrou na história do Brasil meridional ao tentar disseminar a religião católica entre os índios das terras do oeste do Rio Grande do Sul, tendo sido morto por eles na localidade de Caaró, na região das Missões do RS. Bem em frente ao Hospital de Caridade ainda está o pergolado da praça Roque Gonzalez. No final do vídeo ele aparece em uma foto do início do século, ainda resistindo ao tempo e às constantes reformas que a cidade e o progresso fazem sobre os monumentos de sua história e identidade.

segunda-feira, 25 de julho de 2022

A ANTIGA ESTAÇÃO FÉRREA DA CIDADE DE CACEQUI


Prédio da antiga estação ferroviária da cidade de Cacequi, na região central do Estado do Rio Grande do Sul, fundada no ano de 1890 pela Empresa Federal Porto Alegre-Uruguaiana, que explorou o trecho até o ano de 1898. A estação de Cacequi ligava-se à Santo Amaro (Amarópolis), atual distrito da Cidade de General Câmara através do tronco de Cachoeira (Cachoeira do Sul). Para se ir de Santo Amaro a Porto Alegre, nesta época, utilizava-se a navegação fluvial através do rio Jacuí.

No ano de 1898 a linha da estação de Cacequi foi encampada pela Cie. Auxilaire, empresa belga que estabeleceu suas oficinas e escritórios na Cidade de Santa Maria. No ano de 1905 passou a ser a linha-tronco da VFRGS. Os trilhos atingiram a Cidade de Uruguaiana na fronteira com a Argentina no ano de 1911. O seu nome se originou em razão do rio Cacequi,que passa próximo da estação, que era um importante entroncamento ferroviário no início do século. trens saíam para as cidade de Bagé, Rio Grande e Livramento. A estação foi tombada como patrimônio municipal no ano de 2003.

Até o ano de 1801, todo o território do atual Município de Cacequi estava sob o domínio dos padres jesuítas espanhóis, uma vez que a região pertencia à Coroa Espanhola. A região tornou-se território português à partir do Tratado de Madri e, mais tarde, pelo Tratado de Concessões Recíprocas assinado entre os países de Espanha e Portugal. Para manter a posse das terras e garantir a ocupação dos territórios de fronteira, Portugal passou a doar terras por concessão de sesmarias, como estratégia política e militar de povoamento regional. Joaquim José Domingues obteve as terras da fazenda Santa Vitória em 14 de junho de 1816, tendo sido o primeiro morador conhecido do hoje Município de Cacequi.

Em 1913, o núcleo urbano da cidade de Cacequi que desenvolveu-se ao redor da estação ferroviária tinha 50 casas e contava com 200 habitantes e iluminação à querosene. Pode-se afirmar que a sede do atual Município surgiu à partir da construção da antiga estação ferroviária. Com a criação da fazenda surgem as primeiras casas de comércio, capela, farmácia e outros estabelecimentos. O atual núcleo urbano da cidade de Cacequi surge à partir da construção da antiga estação, em 1890. Antônio Luis da Fonseca foi o seu primeiro morador, pois era o concessionário do restaurante existente na antiga estação de trens.

Cacequi é palavra indígena que significa "água do cacique" ou "rio do cacequi". O atual Município é uma terra entre rios, pois seu território é banhado pelos rios Santa Maria, rio Ibicuí e rio Cacequi. A cidade é conhecida como a capital da melancia e também como a terra dos trovadores. A cidade abrigou também a sede da Cooperativa dos Funcionários da Viação Férrea do Rio Grande do Sul, posteriormente RFFSA ( Rede Ferroviária Federal/SA), prédio que oi restaurado e serve como sede de entidades públicas locais. A cooperativa, a exemplo do que ocorria em outras cidades, disponibilizava serviços como farmácias e supermercados aos seus associados. No vídeo aparece também o prédio da antiga farmácia dos ferroviários da cidade.

Cacequi tornou-se Município em dezembro de 1994, sendo nomeado o primeiro prefeito o Sr. Roberto Ranqueta Guimarães. Seus territórios pertenceram antes aos Municípios de Rio Pardo, São Vicente do Sul e São Gabriel. Segundo a atual divisão administrativa, Cacequi é composto do Distrito-sede (Cacequi), e dos Distritos de Saicã e Umbu.

segunda-feira, 18 de julho de 2022

A Antiga Casa Bancária e a Igreja da Cidade de Jaguari RS


Igreja Matriz da Cidade de Jaguari, localizada na Praça Osvaldo Aranha bem no centro do Município e consagrada a Nossa Senhora da Conceição. O prédio todo ele construído em estilo barroco missioneiro foi erguido entre os anos de 1893 e 1907. A origem do Município advém de uma redução jesuítica instalada em 1632 pelos padres Romero, Luiz Ernot e Manuel Bertot que fundaram, na margem direita do Rio Jaguari, a primeira redução da Província de Tape, de Índios Guaranis, denominada de São Tomé. Em 1887 instalaram-se os primeiros colonizadores que iniciaram a construção da Colônia de Jaguari.

A forte religiosidade trazida por esses colonizadores e os que vieram na sequência deram fôlego na construção do templo. Em 1890, dia de páscoa, o Padre D. Otávio Cattaneo rezou a primeira missa no local. As obras da igreja iniciaram-se no ano de 1893 e o templo somente foi considerado concluído no ano de 1907. Em 1920 Jaguari se torna Município, desmembrando-se da cidade vizinha de São Vicente do Sul. E no ano de 1927 foi instalado em uma das torres da Igreja um grande relógio que ainda hoje encontra-se em perfeito funcionamento. Ao final do vídeo uma foto mostra as peças do relógio antes de sua instalação final na torre.

Em 1889 foi criado o Curato de Jaguari, comandado pelo cura Pe. Otávio Cattaneo. No ano de 1915, já com o templo finalizado, o bispo de Santa Maria Dom Miguel de Lima Valverde, elevou o curato de Jaguari à Paróquia da Imaculada Conceição. O primeiro Pároco da cidade foi o Frei Fidelis Della Motte Servolex. O Solar em amarelo na esquina que aparece no vídeo é um típico prédio em estilo eclético que traz as características da influência da imigração européia na cidade, contrastando com a arquitetura da Igreja Matriz que segue um estilo barroco fortemente influenciado pelas antigas construções missioneiras que existem na região.

A arquitetura da cidade de Jaguari recebeu influência direta dos seus primeiros colonizadores de orígem missioneira e espanhola e que permaneceu na região após a saída dos jesuítas do território. Mesclou-se depois com as influência das orígens dos imigrantes europeus que chegavam da Itália, Húngria, Polônia, Alemanha e Russia. O prédio foi a sede de uma antiga casa bancária durante as primeiras décadas do século XX, do Banco Nacional do Comércio ou do Banco da Província do RS, bancos que se fundiram no ano de 1972 criando o já extinto Banco SulBrasileiro, incorporado pelo Banco Medirional e que, por sua vez, foi incorporado ao Banco Santander. O prédio, no entanto, hoje é de propriedade particular e não pertence mais ao patrimônio dos referidos bancos.

segunda-feira, 11 de julho de 2022

Canal Arquitetura Abandonada Agradecimento aos 1000 Inscritos


O Canal Arquitetura Abandonada Agradece a conquista dos primeiros 1000 Inscritos. O nosso muito obrigado a estes primeiros 1000 inscritos do Canal, um número significativo e que não pensamos alcançar inicialmente, em razão do tema se tratar - em nosso pensamento - de algo bastante impopular. Afinal, em todos os lugares que passamos encontramos lugares abandonados. Isso, por si mesmo, nos remeteu a um estado de incompreensão que não era correto na sua forma de pensamento original. Acreditávamos que os lugares que visitaríamos estavam assim por desleixo, por questões de desprezo pelo antigo, e pela incompreensão alheia sobre o real valor do patrimônio histórico.

No entanto, ao longo dessa breve caminhada, descobrimos que aquilo que leva ao abandono destas antigas propriedades e construções, em muito da maioria das vezes, não é a incompreensão de sua importância história, mas sim a uma gama enorme de circunstâncias que são únicas para cada evento. Ou seja, cada história esconde uma "estória" e um motivo único em si mesmo. Logicamente algumas ocorrências são comuns: as dificuldades materiais, o descaso e apoio das autoridades locais e regionais, o desconhecimento e a inconsciência da história coletiva de um povo. No entanto, o que mais nos fascinou foi ter descoberto que muitas pessoas compartilham desse nosso sentimento, do mesmo desejo que nos impulsionou inicialmente: de conhecer e redescobrir a história, de querer saber mais destas construções antigas, quem foram àqueles que as construíram e porquê. E Assim foi construído este Canal: para que se possa contar e recuperar um pedacinho que seja de uma história que se apaga no tempo.

Por esta razão é que cada palavra compartilhada nos comentários dos vídeos, feitas por pessoas distintas e de todos os lugares desse Brasil imenso é uma preciosidade. E cada fragmento de memória que conseguimos resgatar nesse quebra-cabeças de peças infinitas torna-se o grande pagamento de algo que sequer um dia pensamos em receber. A você nosso grande amigo e amiga, a você que um dia tenha assistido a um de nossos vídeos, tendo gostado dele ou não, o nosso sincero agradecimento. Agradecimento por termos atingido esta marca tão pequena diante de um universo tão grande e criativo que é esta plataforma, mas que se torna imensa nos objetivos a que nos propusemos conquistar.

segunda-feira, 4 de julho de 2022

Explorando a Casa Abandonada Tomada pela Vegetação na Cidade de Dilerman...


Explorando a Casa Abandonada Tomada pela Vegetação em Dilermando de Aguiar. Casa Abandonada na Cidade de Dilermando de Aguiar, na região central do Estado do Rio Grande do Sul, localizada no largo da antiga estação ferroviária do Município. A casa está localizada na área que abrigou a antiga estação de trens de passageiros de Dilermando de Aguiar que hoje encontra-se desativada. A área onde localiza-se esta casa ainda sustenta as construções mais antigas do Município de pouco mais de 3.000 habitantes.

O Município teve seu maior ciclo de desenvolvimento quando funcionava na região algumas das oficinas da extinta Rede Ferroviária Federal S.A. O nome do Município é homenagem ao engenheiro que construiu a antiga estação férrea, inaugurada em 23 de dezembro de 1890. A região foi inicialmente explorada por espanhóis, que ocuparam a região no século passado. Somente à partir de 1801 é que os portugueses se estabeleceram no local. Por volta de 1885 o Tenente Coronel José da Rocha Vieira inicia o povoamento do local, construindo duas casas; uma moradia e um hotel ao largo da estrada de ferro.

A Cidade de Dilermando de Aguiar recebeu status de Município no ano de 1995, com território desmembrado da Cidade de Santa Maria. A gênese de sua formação traz a fusão Hispano-Portuguesa, juntamente com os indígenas e imigrantes europeus, principalmente de origem italiana. A casa em tela não deve ter sido construída antes da metade do século XX, provavelmente entre as décadas de 1950 e 1960. Não foi possível levantar maiores informações sobre o local. Deixamos aqui o registro histórico e visual deste lugar esquecido no tempo.

segunda-feira, 27 de junho de 2022

A História do Clube Caixeiral da Cidade de Santa Maria


A História do Clube Caixeiral da Cidade de Santa Maria. Sede do Clube Caixeiral da Cidade de Santa Maria, RS, localizado à Rua do Acampamento, esquina com a Rua Alberto Pasqualini, no centro histórico e comercial do Município. O Clube Caixeiral foi fundado em 14 de fevereiro de 1886, reunindo os caixeiros viajantes da Cidade. Os fundadores foram Herculano dos Santos, seu primeiro presidente, Joaquim Ilha, Venâncio de Freitas, Vitor Rist F°, João B. de Figueiredo, Luís Gonzaga Martins, Domingos Dias, Fidêncio de Oliveira, Ernesto Vieira, Germano Brenner, Manoel Feliciano dos Santos, Percival Brenner e Carlos de Lemos Pinto.

A primeira sede do Clube foi instalada em um sobrado na esquina da Rua Dr. Bozano com a Rua Duque de Caxias, no local onde hoje está instalado o Edifício Dalcol. Mais tarde, o clube se instalou na sua primeira sede própria, à rua Floriano Peixoto, onde atualmente está o Centro de Ciências Sociais e Humanas da UFSM. A atual sede do Clube só foi inaugurada no ano de 1926. Pela lei 1869/76, DE 17-08-1976, o Prefeito Municipal DR. ARTUR MARQUES PFEIFER considerou de Utilidade Pública Municipal, o Clube Caixeiral Santa-Mariense. No ano de 2007 teve início, pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural, um processo para estudos de tombamento da edificação.

O início da obra do prédio do Clube Caixeiral se deu em 21 de abril de 1921, e a inauguração se deu em 16 de outubro de 1926. O projeto foi assinado pelo arquiteto alemão radicado em Porto Alegre Theodor Wiederspahn, e a execução da obra foi conduzida por Olympio Lozza. Em estilo eclético, predominam na construção os elementos dos movimentos Neoclássico e Art Nouveau. Estas sociedades surgiram em razão dos movimentos dos caixeiros pelo fechamento das portas do comércio aos domingos e feriados, na parte da tarde. Os dirigentes dos Clubes continuaram, por muitos anos, na defesa do descanso. A bandeira dos direitos sociais da classe dos caixeiros viajantes esteve na gênese da fundação destas associações. As sedes sociais e atividades clubísticas surgiram apenas em um segundo momento de suas existências.

Os Clubes Caixeirais no Rio Grande do Sul surgiram nos anos finais do século XIX. Entre 1879 e 1890, foram fundados doze clubes no Estado, nas Cidades de Pelotas, Porto Alegre, Bagé, Livramento, Jaguarão, Santa Maria, Alegrete, São Gabriel, Rio Grande, Cachoeira do Sul, Uruguaiana e São Sepé, sendo a sociedade Caixeiral da Cidade de Pelotas a mais antiga, fundada no final do ano de 1879. O Clube Caixeiral de Santa Maria permanece fechado desde julho de 2018, quando parte do telhado de sua estrutura caiu. No local funcionava um restaurante de intenso movimento, que também teve de ser fechado. Até os meandros de janeiro de 2020, quando gravamos este vídeo, a obra e reconstrução e recuperação da estrutura dos telhados não havia ainda começado.

A realidade atual dos clubes caixeirais é de dificuldades financeiras e de manutenção de suas estruturas, uma vez que são clubes com poucos sócios, muitos dos quais remidos, e a evolução da sociedade, que leva a falta de interesse do público em frequentar bailes e jantares tradicionais. A dificuldade de adaptação aos novos tempos e a barreira financeira é uma marca comum entre estas instituições centenárias.


segunda-feira, 20 de junho de 2022

A Reforma do Clube Martinhense e a História do Forte de São Martinho da ...


A Reforma do Clube Martinhense e a História do Forte de São Martinho da Serra. Obras do Clube Martinhense, localizado no Centro da Cidade de São Martinho da Serra, na região central do Estado do Rio Grande do Sul. O vídeo mostra a reforma em andamento no ano de 2018. Em 2019 a obra estava quase concluída, já com a colocação dos telhados. Em razão da pandemia de Covid-19, não nos deslocamos até o local no ano de 2020.

O Clube passou por regularização fundiária executada pela Prefeitura Municipal para que pudesse ser reformado. Não foi possível a obtenção de outras informações sobre o local. O espaço, no entanto, será novamente destinado ao uso da comunidade local. O território de São Martinho da Serra era originalmente habitado por comunidades indígenas organizadas (guaranis) quando chegaram os colonizadores europeus. A partir da primeira metade do século XVII chegaram os primeiros padres jesuítas ao local, que o denominaram de Monte de São Martinho.

O Forte localizava-se pouco adiante da Picada de São Martinho, único caminho conhecido da região por entre as serras que levavam à região missioneira do atual Estado do RS. Tinha por função impedir o contrabando que vinha das Missões Orientais para o Município de Rio Pardo, e era um contraponto à Guarda de Santa Maria, que Portugal mantinha na parte baixa da serra já em território português. Mais tarde, em razão dos conflitos de fronteira entre Portugal e Espanha, foi instalado por esta na região um forte militar, também chamado de guarda ou trincheira de São Martinho, que era composta por 30 ou 40 homens, índios em sua maioria, chefiados por um oficial espanhol.

Finalmente, em 1801, o militar e estancieiro Manoel dos Santos Pedroso (Maneco Pedroso), atacou e conquistou em definitivo a Guarda de São Martinho. Após a sua vitória, um destacamento do exército português, partindo do Passo dos Ferreiros, tomou posse do local. Foi deste forte militar que partiram as tropas portuguesas que reconquistaram para Portugal toda a região das Missões do atual Rio Grande do Sul. Em 1775, partindo da Cidade de Rio Pardo, o sargento-mór Rafael Pinto Bandeira e 150 homens do esquadrão de cavalaria ligeira realizou o primeiro ataque português ao Forte de São Martinho, conquistando-o e abandonando-o em sequência, uma vez que não pôde deixar ali homens para garantir a posse do local. Assim, os espanhóis retornaram ao local posteriormente.

segunda-feira, 13 de junho de 2022

A História do Monumento ao Imigrante Italiano em Silveira Martins


A História do Monumento ao Imigrante Italiano em Silveira Martins. Na tela o Monumento em homenagem ao Imigrante Italiano, construído na VRS 804, na subida da Serra que leva ao Hoje Município de Silveira Martins, que na época das imigrações era Distrito da Cidade de Santa Maria e foi a sede da Quarta Colônia de Imigração Italiana do Rio Grande do Sul, localizada na região central do Estado. Cabe dizer que a história das imigrações nesta região estão associadas, entre outras, à figura de Gaspar Silveira Martins, político gaúcho nascido no Uruguai e um grande defensor das imigrações no sul do Brasil e de melhores condições de vida aos imigrantes aqui chegados. O nome do Município de Silveira Martins, inclusive, é um tributo em sua homenagem.

Dentro destas circunstâncias foi criado então o Núcleo Colonial da Cidade de Santa Maria da Boca do Monte, cujas terras seriam vendidas a imigrantes para angariar recursos para os cofres da cidade. Este núcleo, mais tarde, viria a se tornar a Quarta Colônia de Imigração, chamada de Colônia Silveira Martins à partir do ano de 1879. A ideia embrionária da criação de uma colônia de imigração na região foi um pedido ao governo imperial da Câmara de Vereadores da Cidade de Santa Maria da Boca do Monte, hoje Santa Maria, para a concessão e a demarcação de terras devolutas que deveriam serem anexadas ao patrimônio desta cidade.

Dessa forma constituiu-se a Quarta Colônia Imperial de Imigração Italiana, que foi denominada Colônia Silveira Martins, composta pelas áreas dos hoje Municípios de Silveira Martins, Faxinal do Soturno, Ivorá, São João do Polêsine, Nova Palma, Pinhal Grande e Nova Palma. As cidades de Agudo e Restinga Seca, embora hoje façam parte da Região da Quarta Colônia, não tiveram a sua colonização majoritariamente feita por imigrantes italianos. Antes da chegada dos colonos italianos e se tornar a Colônia Silveira Martins, o Núcleo Colonial de Santa Maria da Boca do Monte recebeu imigrantes russo-alemães, quando chegaram pessoas vindos da cidade de Saratow, na Rússia, no ano de 1877. Após o fracasso e a desistência destas etnias em ocupar as terras da Colônia é que a mesma foi destinada à imigração italiana.

Entre os meses de maio e julho de 1878, em razão do grande número de pessoas e das péssimas condições de higiene do local, uma grande epidemia infecto=contagiosa eclodiu entre a população ali instalada. As mortes já se sucediam em ritmo intenso e rápido. Os enterros eram feitos com o corpo envolto em lençóis, e quase todas as famílias foram atingidas. Acredita-se que tenham morrido no local, em poucas semanas, entre 300 e 500 imigrantes. A primeira leva de imigrantes italianos chegou a colônia de Silveira Martins por volta da primavera de 1877. O local que os abrigava foi denominado de Barracão de Val de Buia. Com a demora da demarcação de terras, outras famílias foram chegando e ali se estabelecendo, e logo o barracão já abrigava mais de 1000 imigrantes, em condições precárias, que esperavam a demarcação e a distribuição de suas terras.

segunda-feira, 6 de junho de 2022

O Antigo Coreto da Praça da Cidade de São Vicente do Sul


O Antigo Coreto da Praça da Cidade de São Vicente do Sul. No vídeo aparece o Coreto da Praça Central Borges de Medeiros, construído no centro geográfico da mesma, na Cidade de São Vicente do Sul, região central do Estado do Rio Grande do Sul. O Coreto da praça foi concebido na gestão do Intendente Municipal Armando Vitorino Prates, integrante do PRR - Partido Republicano Riograndense, e foi erguido em homenagem aos cem anos da independência do Brasil, ocorrido no ano de 1922.

Armando Vitorino Prates era advogado formado na Escola Livre de Direito da cidade de Ouro Preto em MG e amigo e correligionário de influentes políticos da época, entre eles Flores da Cunha, Osvaldo Aranha e de Getúlio Vargas de quem era, inclusive, o seu advogado em diversas questões locais e regionais. O Coreto da Praça representa o principal cartão postal da Cidade de São Vicente do Sul. Em sua construção prevalecem elementos dos estilos neoclássico que resgata características da arquitetura greco-romana e também com elementos do movimento artnoveau, um estilo estético de origem francesa que se apresenta por formas e estruturas naturais e menos tradicionais.

O Banco Nacional do Comércio de Porto Alegre já existia em 1900, e sua nova sede onde hoje se encontra o Santander Cultural foi construída entre 1927 e 1932, o que contrasta com a informação de que o Coreto teria sido construído após a finalização desta obra. A História ainda diz que os materiais utilizados em sua construção foram importados da Europa. Além de um marco histórico, o Coreto de São Vicente do Sul foi concebido para ser uma fonte e um reservatório de água para os moradores da região central da cidade. Sua construção teria sido executada por um mestre de obras de origem italiana que teria trabalhado na construção da sede do Banco Nacional do Comércio, em Porto Alegre. Esta informação, no entanto, não foi possível de ser confirmada.