segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

A História da Antiga Estação Férrea da Cidade de Santa Maria


A História da Antiga Estação Férrea da Cidade de Santa Maria. Complexo da Antiga Gare, em Santa Maria, RS, a antiga estação ferroviária da cidade, cujo prédio principal foi construído em 1885. Santa Maria ficou conhecida na região pela alcunha de cidade ferroviária pela importância histórica e econômica da ferrovia ao longo de sua existência. O Vagão que aparece na tela foi construído em 1937, e era denominado de “Vagão Administração” onde instalavam-se os engenheiros que atuavam na inspeção das linhas. Foi trazido pela Prefeitura no ano de 2013 numa tentativa de revitalização do espaço, projeto que não teve êxito, e hoje, como a maior parte do complexo, encontra-se abandonado.

Na década de 1920, os trens que saiam de Santa Maria chegavam até São Paulo, e no extremo da linha, à cidade de Uruguaiana, na fronteira com a Argentina. A estação tornou-se sinônimo do progresso local, e dela desencadeou-se o contexto social da cidade. A partir de sua construção, a população da cidade quintuplicou-se nos 20 anos seguintes à chegada da ferrovia. A estação de Santa Maria foi inaugurada pela E. F. Porto Alegre-Uruguaiana, uma empresa pública gaúcha, e foi construída em terreno doado por Ernesto Beck. A plataforma de embarque foi construída apenas no começo da década de 1920, já com a VFRGS - Viação Férrea do Rio Grande do Sul na administração da ferrovia.

A decadência do transporte ferroviário levou a extinsão e suspensão do transporte de passageiros no ano de 1996. A Rede Ferroviária Federal S.A foi cedida à iniciativa privada em março de 1997. Os prédios não operacionais, nos quais se inclui o da Estação, continuaram de posse governamental, sendo repassados para o uso da prefeitura de Santa Maria. Santa Maria foi sede do maior entroncamento ferroviário do centro do Estado do RS, e teve o seu auge entre os anos de 1910 a 1950, quando a maior parte dos trens passavam por aqui. A cidade estava ligada a São Paulo desde o início da década de 20, e era responsável, através de sua estação, por grande parte da logística de escoação da produção da economia gaúcha no período de seu funcionamento.

Todo o largo da estação férrea é tombado em nível Municipal e Estadual. O prédio da antiga estação apresenta elementos neoclássicos, visíveis em sua estrutura, portas e janelas. A plataforma de embarque apresenta cobertura de ferro com elementos decorativos do movimento Art Nouveau, característica comum a diversos prédios históricos existentes na cidade.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

O Antigo Prédio dos Correios da Cidade de Porto Alegre


O Antigo Prédio dos Correios da Cidade de Porto Alegre. Antigo prédio dos Correios e Telégrafos, ou Prédio Velho do Correio, localizado no Centro Histórico de Porto Alegre, no Estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Corresponde a um monumental prédio que atualmente abriga o Memorial do Estado do Rio Grande do Sul. Corresponde a um dos mais belos e importantes edifícios históricos da cidade de Porto Alegre. Em estilo eclético, a construção tem forte influência do barroco alemão, com uma grande torre de relógio à esquerda, ornamentação em motivos florais e esculturas na fachada. A figura de Atlas, também chamado Atlante, que na mitologia grega é um dos titãs condenado por Zeus a sustentar os céus para sempre, destaca-se na entrada do edifício.
O prédio dos Correios e Telégrafos foi tombado em 1980 pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, e escolhido para ser a sede do Memorial do Rio Grande do Sul, para abrigar um centro histórico voltado para a preservação da cultura gaúcha. O acordo de cedência do prédio implicou na criação de um Museu Postal e de uma Agência Filatélica, mantendo uma vinculação do local com as suas funções originais. Projetado pelo arquiteto Theodor Wiederspahn e executado pelo engenheiro Rudolph Ahrons, foi construído entre os anos de 1910 a 1913, e inaugurado em 21 de abril de 1914. A construção abrigou diversas unidades da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos ao longo do tempo, entre elas um Centro de Distribuição e Agência Filatélica.

Hoje o prédio abriga um centro de informação e divulgação da história do Estado do RS, onde estão reunidos objetos, mapas, gravuras, fotos, livros, imagens iconográficas e depoimentos importantes sobre os principais fatos ocorridos na história do Estado. Filho de um carpinteiro e construtor, em sua juventude na Alemanha recebeu instrução qualificada em construção, arquitetura e decoração, começou sua vida profissional aos 14 anos como aprendiz de Phillip Mauhs, trabalhou na empresa de Josef Strecke e depois passou a auxiliar o pai, mas a convivência com ele era difícil, levando-o a procurar emprego em um escritório de arquitetura. Na Alemanha produziu dezenas de obras de variado caráter, revelando gosto tanto pelo experimentalismo de vanguarda como por estilos históricos, e no estado do Rio Grande do Sul, Brasil, onde se fixou em 1908, desenvolveu a parte principal da sua carreira.

O acervo está exposto através de uma concepção museográfica moderna aliada a novas tecnologias, permitindo, assim, a integração com o público e o fácil entendimento dos conteúdos. Em Porto Alegre, Brasil. Theodor Alexander Josef Wiederspahn, mais conhecido como Theo Wiederspahn (Wiesbaden, 19 de fevereiro de 1878 — Porto Alegre, 12 de novembro de 1952) foi um arquiteto, engenheiro e construtor alemão naturalizado brasileiro. Sua fase áurea coincidiu com um período de prosperidade econômica regional, quando trabalhou no principal escritório de engenharia e construção de Porto Alegre, dirigido por Rudolf Ahrons, criando em conjunto vários prédios majestosos e ricamente decorados, de linhas ecléticas, que permanecem entre os principais marcos arquitetônicos da cidade.

Com o fechamento da empresa em 1915, passou a desenvolver uma carreira independente, mas enfrentou dificuldades de várias ordens e faliu duas vezes. Não obstante, era um trabalhador incansável, e pôde erguer centenas de outras edificações na capital e em várias cidades do interior, de variados tipos e funções, das escolas e igrejas às residências populares, dos palacetes burgueses às grandes indústrias e casas comerciais, muitas delas também de grande significado social, histórico e artístico, contribuindo decisivamente para renovar o panorama arquitetônico estadual. Com o passar dos anos seu estilo evolui e se torna mais despojado e funcional, aproximando-se gradativamente da estética Déco e da Nova Objetividade. Casou duas vezes, deixando cinco filhos.

Depois de um período de obscuridade, sobrepujado pela escola modernista, cuja avassaladora influência levou à derrubada de dezenas de suas obras ecléticas, voltou a ser apreciado, e hoje, pela quantidade, qualidade, variedade e novidade de seus projetos e soluções construtivas, sua posição como um dos principais expoentes da história da arquitetura do Rio Grande do Sul está solidamente consagrada. Muitas das suas obras sobreviventes foram tombadas ou inventariadas.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

O Antigo Pré-Seminário São José de Faxinal do Soturno no RS


Antigo prédio que abrigou o Pré Seminário São José, que pertenceu à congregação dos Padres e Irmãs Palotinos, localizado no centro da cidade de Faxinal do Soturno, interior do estado do Rio Grande do Sul. O prédio foi construído nas décadas de 1930/40 tendo como primeiro reitor o Padre Fioravante Trevisan. Os primeiros padres palotinos chegaram ao Brasil em 24 de julho de 1886 e chamavam-se Guilherme Whitmee, José Bannin, Jacó Pfändler e Francisco Xavier Schuster.
A região foi o berço da congregação dos palotinos no Brasil. Após a sua chegada, passaram a atender a Colônia Santo Ângelo (Agudo), Tabuão de Cachoeira (Paraíso do Sul), Rincão do Vacacaí, Cortado, Formoso, Restinga Seca, Arroio do Só, São João do Polêsine, Faxinal do Soturno, Nova Palma, Núcleo Norte (hoje Ivorá), entre outras colônias da região. Os palotinos são devotos de São Vicente Pallotti, que nasceu no dia 21 de abril de 1795, em Roma, antiga capital do Império Romano e Centro Universal do catolicismo. Seus pais eram Pedro Paulo Pallotti e Maria Madalena Rossi. Vicente Pallotti foi ordenado sacerdote no dia 16 de maio de 1818, na Basílica São João do Latrão, em Roma.
Vicente Palotti quis, primeiro, entrar na Ordem dos Capuchinhos, mas sua constituição física débil o impediu. Recebeu uma formação aprimorada nas ciências humanas, na filosofia e na teologia. Coroou sua formação acadêmica com o doutorado em filosofia e em teologia. Durante um decênio, de acordo com seus títulos de doutorado, dedicou-se à vida acadêmica, como professor na Universidade Sapienza de Roma. O prédio é atualmente ocupado pela Prefeitura Municipal que mantém nele diversas secretarias e unidades de atendimento ao público externo e à comunidade local. Anexo ao prédio está instalado o Museu Fotográfico Irmão Ademar da Rocha.
O Museu Fotográfico possui um acervo de aproximadamente 3.500 fotografias que retratam, desde a década de 1920 até os tempos atuais, a trajetória e os costumes dos imigrantes que povoaram e construíram a cidade de Faxinal do Soturno. O Irmão Ademar foi um Irmão leigo palotino, educador e catequista e um dos pioneiros da divulgação do cinema na Região.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

As Casas Antigas e a Arquitetura de Ernesto Alves no RS


Casas Antigas do Distrito de Ernesto Alves, interior do Município de Santiago, na Região Central do Estado do Rio Grande do Sul. O Distrito foi constituído em 1890 para receber imigrantes europeus, principalmente os de nacionalidade italiana. Também recebeu levas de imigrantes alemães, austríacos, húngaros e poloneses. Casas Antigas do Distrito de Ernesto Alves, interior do Município de Santiago, na Região Central do Estado do Rio Grande do Sul. O Distrito foi constituído em 1890 para receber imigrantes europeus, principalmente os de nacionalidade italiana. Também recebeu levas de imigrantes alemães, austríacos, húngaros e poloneses. O distrito de Ernesto Alves recebeu as primeiras levas de imigrantes pelos idos de 1890, e foi anexado ao município de Santiago do Boqueirão em 1910. Hoje é um dos três distritos deste Município gaúcho e um importante pólo turístico-regional e cultural.

O nome da localidade de Ernesto Alves é homenagem a um expoente político, jornalista e advogado gaúcho natural da cidade de Rio Pardo, e defensor do ideal republicano e membro do Partido Republicano Riograndense. Foi deputado federal, diretor de jornais e inspetor geral da Instrução Pública no Rio Grande do Sul e deputado Constituinte de 1891. Marcado pela colonização italiana, o local abriga o Memorial do Imigrante, que conta com acervo de mobiliário antigo, fotos e 20 painéis relatando um tanto da história de Ernesto Alves e de outras famílias de origem italiana que cresceram em Santiago. A casa onde está abrigado o Memorial pertenceu à família Minozzo. A história dessa família faz parte de um dos quase 20 painéis ilustrados do memorial.

Banhado pela águas do Rio Rosário, Ernesto Alves oferece um balneário público e é sede de diversos eventos onde se pode praticar desde escotismo, trilhas, treeking, trilhas, slackline, corridas, crosscountry, rapel e outras aventuras em meio à natureza exuberante que cerca o lugar. O Memorial Prof. Cleo Bonottto que aparece no início do vídeo é homenagem ao professor universitário Cléo Adriano Sabadi Bonotto, prematuramente falecido, que era natural do lugar e muito querido pelos que o conheceram. Um lugar de memória e de histórias...

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

A Casa Abandonada e os Móveis Antigos


A Casa Abandonada e os Móveis Antigos. Casa antiga no Município de Dilermando de Aguiar, região central do Estado do RS. Correspondia a um antigo "bolicho", um pequeno armazém ou mini-mercado nos dias atuais, e atendia a população interiorana residente no Município, devido à sua localização estratégica. O prédio ocupa uma posição estratégica, na saída de diversas localidades do interior do Município, e teria pertencido a família Dib, ou Dibb. Esta informação, no entanto, não pôde ser confirmada. Embora a casa esteja abandonada, a propriedade é privada e encontra-se dentro de área produtiva e povoada.

A Formação histórica do Município provém de propriedades originárias de antigas sesmarias, dentre as quais, Antônio da Costa Pavão, em 1806, e, José Maria da Gama Lobo D"eça, em 1821, cujos nomes ficaram assinalados com a denominação de Colônia Pavão e Picada do Gama. O nome do Município é homenagem a um engenheiro da rede ferroviária, que foi o percurssor do maior entroncamento ferroviário para o extremo sul do Brasil, Dr. Dilermando de Aguiar, empresa onde chegou a ser Diretor de Rede.

Espanhóis, da região Basca, foram os primeiros colonizadores da região, habitada antes pelos índios Guaranis. Os portuguêses chegaram por volta de 1885, quando o Tenente Coronel José da Rocha Vieira inicia o povoamento do local, que foi inicialmente chamado de Estação São Pedro. Dilermando de Aguiar teve seu maior desenvolvimento quando do funcionamento da Rede Ferroviária, onde era importante estação de parada de locomotivas e ponto estratégico da linha que chegava a cidade de Uruguaiana. Hoje a sua economia é centrada nas atividades de agricultura e pecuária.

Em dezembro de 1890 é inaugurada a Estação Ferroviária que impulsiona o desenvolvimento local. Em 1919 a vila cresce em importância, quando se torna ponto inicial de um novo Ramal Ferroviário, ligando Santa Maria à região da fronteira do RS. No entanto, a localidade alcança a emancipação política apenas no ano de 1995.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

A PONTE FÉRREA DA PARADA SILVIO FILIPE NA CIDADE DE RESTINGA SECA NO RS


Vídeo gravado na localidade de "Parada Silvio Filipe", à beira do Rio Jacui, no Município de Restinga Seca, no RS. A Ponte Férrea que aparece no video neste momento corresponde à ponte férrea sobre o Rio Jacui, pertencente ao trecho da antiga ferrovia Porto Alegre - Uruguaiana. A localidade de Parada Filipe corresponde a um pequeno povoado formado por algumas residências de férias, que se originou em razão da presença de antigos ferroviários, ligados à associação dos Ferroviários do Estado, e que provavelmente trabalhavam na antiga estação da localifdade de Jacuí, distante 1,5 Km do local.

O Local era muito frequentado no passado, entre as décadas de 1950 a 1970, durante o período de verão, principalmente por ferroviários e suas famílias. Os visitantes desembarcavam na estação Jacuí, proximo dali, e seguiam 1,5 km até a colônia de férias, caminhando sobre os trilhos até o pequeno povoado. Com o tempo, ao lado da ponte ferroviária, fois construída a Parada Silvio Filipe para que os visitantes do lugar pudessem embarcar e desembarcar dos trens já na colônia de férias. Não foi possível determinar a data de sua construção e nem a data da fundação do povoado. Apenas trens com pequeno número de vagões paravam no local, em razão da proximidade existente da ponte férrea.

A Ponte Férrea que cruza o Rio Jacui, na divisa dos Municípios de Cachoeira do Sul e Restinga Seca foi construída em 1885, no trecho Cachoeira - Santa Maria, da antiga ferrovia Porto Alegre - Uruguaiana. A mesma foi remodelada na década de 1990. Ao seu lado é possível ver as pilastras da ponte original. O Grupo de macacos que aparecem no vídeo são Bugios, aqui chamados de bugios vermelhos ou bugios ruivos, nativos do lugar. São encontrados em todo o território brasileiro e são conhecidos também pelos nomes de macacos guaribas ou macacos barbados.
No Rio Grande do Sul, o gaiteiro (acordeonista) Wenceslau da Silva Gomes, Neneca Gomes, em1928, na região de São Francisco de Assis, inspirado no ronco dos bugios, criou um ritmo musical que foi denominado de bugio, imitando no jogo de foles do acordeon o ronco deste primata. O ritmo musical do Bugio é reconhecido como o único ritmo autenticamente gaúcho dentro do universo da música regional do estado do RS. Os bugios vivem em grupos familiares, geralmente de 3 a 15 indivíduos, e são sempre liderados por um macho. Neste grupo haviam, pelo menos, dez indivíduos. E se alimmentam basicamente de folhas e de frutos, como pode-se ver nitidamente nas imagens aqui gravadas.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

A Igreja do Enforcado em Porto Alegre RS


A Igreja de Nossa Senhora das Dores é a igreja católica mais antiga da cidade de Porto Alegre, no RS. Localiza-se na rua dos Andradas, no centro histórico da cidade, defronte para o lago Guaíba e diante de uma imponente escadaria de 62 degraus, desde a base até a sua entrada principal. A devoção a N. Sra. das Dores foi introduzida em Portugal pelos padres Oratorianos, e chegou ao Brasil por volta de 1770, estabelecendo-se primeiramente em Minas Gerais. Em Porto Alegre, cidade fundada por portugueses açorianos em 1752, a devoção a N. Sra. das Dores começou em 1779.
Os Devotos de N. Sra das Dores mandavam celebrar uma missa todas as sextas-feiras entronizada num dos altares laterais da antiga Matriz da Mãe de Deus, no local onde hoje está construída a Catedral Metropolitana de Porto Alegre. Estes devotos criaram a Irmandade de Nossa Senhora das Dores, que se tornou Ordem no ano de 1824. Em 1832 a ordem das Dores foi desmembrada da paróquia da Mãe de Deus, mas só recebeu um pároco em 1859, quando o Imperador Dom Pedro II indicou o Padre José Soares do Patrocínio Mendonça para o cargo. A construção da igreja começou em fevereiro de 1807, e suas obras só foram terminadas em 1904.
Josino, alegando a sua inocência, teria então jogado uma maldição: as torres "malditas" nunca seriam terminadas e o seu "dono" jamais veria a obra da igreja terminada. No entanto, segundo o historiador Sérgio da Costa Franco, a condenação do dito escravo teria ocorrido em razão de um assassinato. Segundo a lenda, a demora na sua conclusão ocorreu devido à maldição de um escravo, condenado à forca injustamente pela acusação do roubo de um colar da imagem de Nossa Senhora. Segundo a história, eram Domingos José Lopes, um abastado morador da cidade e senhor de escravos, e um escravo de nome Josino, que ele "emprestara" para trabalhar na obra.

Lenda ou verdade, a igreja só foi concluída 97 anos após o início da construção, com um novo projeto de torres e fachada ao estilo eclético alemão, destoando do restante do conjunto arquitetônico, que foi construído em estilo barroco português. A Igreja de Nossa Senhora das Dores foi tombada e declarada patrimônio histórico e artístico nacional em 1938 e seu interior é ricamente decorado com características do período colonial. Sua preservação faz parte do Projeto Monumenta, que tem participação do BID, da UNESCO e do Banco Mundial. Sua história, por sua contemporaneidade, confunde-se com a própria história da cidade de Porto Alegre.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

A História da Antiga Escola Rocha Vieira


Fachada da Escola Estadual de Primeiro e Segundo Graus "Rocha Vieira", no Município de Dilermando de Aguiar, no RS. O prédio mostrado no vídeo corresponde ao prédio original onde a escola começou a funcionar e hoje, aparentemente, serve de sede da administração da escola. A escola foi inaugurada em novembro de 1940, e foi ampliada com o tempo, tendo hoje um grande anexo ao lado do prédio original e um ginásio de esportes ao fundo. Atende em torno de 200 alunos, distribuidos em turnos de manhã e tarde, contando em 2018 com um corpo docente formado por 27 professores e 08 funcionários.

O Nome da Escola homenageia o Tenente Coronel José da Rocha Vieira, que foi personagem histórico ligado ao inicio do povoamento da cidade. A Escola foi fundada na gestão do então Presidente da República Sr. Getulio Vargas, que era natual de São Borja, uma cidade gaúcha bem próxima da cidade de Dilermando de Aguiar. A fundação da Escola se deu, segundo estudos de Marlise Nogueira Ramos, na tentativa de implantação de um modelo de desenvolvimento nacionalista ocorrido em todo o Brasil, no período do anos de 1930-45, modelo este que foi posteriormente substituído por um modelo de desenvolvimento dependente e associado ao capital externo.

A Escola surgiu com a denominação original de "Grupo Escolar Rocha Vieira", em um terreno doado por Otacílio Rocha. A primeira diretora da escola foi a senhora Leda Oliveira da Rocha, e a escola contava com apenas 4 séries iniciais. No final do video consta uma foto do prédio logo após a sua construção. No ano de 1977 o grupo escolar passou a chamar-se Escola Estadual de 1º Grau Rocha Vieira, agora com oito séries. No ano de 1999 passou a ser considerada Escola de Ensino Médio. Localizada na Rua Independencia, 106, no Centro, é a maior escola do Município de Dilermando de Aguiar.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

O Cine Theatro Capitólio em Porto Alegre RS


O Cine Theatro Capitólio em Porto Alegre RS. Projetado e construído pelo engenheiro italiano Domingos Rocco, e inaugurado em 12 de outubro de 1928, nas Esquinas da Av. Borges de Medeiros com a Rua Demétrio Ribeiro está construído, em toda a sua imponência e charme, o prédio do antigo Cine Capitólio, no centro Histórico da Cidade de Porto Alegre, RS. De propriedade do também italiano Luís Faillace, o Cine Capitólio constituiu-se de um cine-theatro, que correspondia a um espaço de projeção de filmes e também de peças teatrais e espetáculos diversos, o que era vanguarda para a época. Suas dependências de luxo e sua luxuosa decoração o colocaram como uma das principais casas culturais do início do século XX em Porto Alegre.

O primeiro filme exibido no Cine Capitólio foi o filme francês "Casanova", de 1927, dirigido por Alexandre Volkoff, que tinha como estrela o ator russo Ivan Mosjoukine. Na mesma década de sua inauguração, foram criados mais 10 novos cinemas de rua em Porto Alegre, consolidando o que já era uma tendência de opção, lazer e de cultura para a população local. A partir da década de 1960, o Cine Capitólio, assim como todos os outros cinemas de rua da cidade, entraram em processo de acelerada decadência, em razão do surgimento da televisão e de outras mudanças culturais. Em 1969 o filho do fundador Faillace arrendou a casa ao Grupo Serrador, de São Paulo, e o prédio foi reformado. O cinema passou a chamar-se Premier e acabou por fechar, definitivamente, no ano de 1994.

O prédio segue o estilo eclético, com a fachada ricamente ornamentada e riqueza de detalhes. Internamente era composto de uma grande sala de projeção e tinha capacidade para abrigar 1295 espectadores sentados. Foi construído na gestão do prefeito Otávio Rocha, que dá nome ao Viaduto Otávio Rocha, outra construção icônica de POA e que desemboca no atual prédio. O prédio foi tombado pelo IPHAE no ano de 2006 como patrimônio Cultural dos Gaúchos e, num esforço conjunto de diversas entidades culturais e com o patrocínio da Petrobras via Lei Rouanet, o antigo prédio do Cine Capitólio, no ano de 2005, foi transformado em Cinemateca, um lugar para a conservação e a preservação da memória audiovisual gaúcha e brasileira.

Ainda no ano de 1979 o prédio do Cine Capitólio foi incluso na listagem do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano como prédio de interesse cultural com vistas à preservação. Em 1995 foi incluso na revisão do Inventário dos Bens Culturais Imóveis do Município de Porto Alegre, e passou a ser de propriedade municipal, tendo sido transformado em patrimônio municipal pela Lei Municipal 365/95. Depois de ter sido restaurado, o antigo prédio do Cine Capitólio foi transformado em um espaço cultural, denominado de Cinemateca Capitólio Petrobras. Corresponde, hoje, a um local que tanto preserva quanto difunde a memória audiovisual. É um centro cultural dedicado única e exclusivamente ao audiovisual, onde ocorrem sessões de cinema, exposições, mostras e outras atividades culturais relacionadas a sua temática principal.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

Os Encantos e a Magia de Novo Treviso no RS


Os Encantos e a Magia de Novo Treviso no RS. Vídeo gravado no distrito de Novo Treviso, Município de Faxinal do Soturno, na região da Quarta Colônia de Imigração Italiana do Rio Grande do Sul. Novo Treviso é considerado o berço da formação do Município de Faxinal do Soturno. A história da localidade está diretamente vinculada à colonização italiana feita por colonos que vieram da Itália por volta do ano de 1870 e se assentaram em Nova Treviso. A colonização se deu através da expansão da colônia mãe localizada no Município de Silveira Martins, para onde eram encaminhados os imigrantes que chegavam na região.

Um dos núcleos de expansão da Colônia de Silveira Martins foi denominado de "Núcleo Soturno", que foi subdividido na localidade de Barracão (atual município de Nova Palma) e na localidade de Geringonça (atual Vila Novo Treviso). Posteriormente, e entre estes dois núcleos, surgiu a cidade sede do município de Faxinal do Soturno. O prédio que aparece no video abriga o Museu Geringonça, aberto ao público desde 2007. O prédio foi doado à prefeitura em 1994 por Pio Ernesto Ceolin, com a finalidade de instalar nele o Museu Histórico de Novo Treviso. Conta com um acervo composto de peças históricas usadas pelos primeiros imigrantes italianos. No prédio funcionou uma antiga escola de freiras na primeira metade do século XX.
O nome de Novo Treviso é uma referência a Treviso, uma comuna italiana da região do Vêneto, capital da homônima província de Treviso, na Itália, região de onde vieram os primeiros imigrantes do lugar. Treviso também corresponde ao nome de uma das cidades mais encantadoras e antigas da Itália. O silo de armazenamento de grãos que aparece no vídeo e que hoje pertence a família Balzan foi adaptado de um antigo moinho de farinha, que pertenceu à família Antoniazzi, cujos descendentes exploram a aividade até os dias de hoje na cidade de Santa Maria, no RS. Os irmãos Adelino Antoniazzi e Vitélio Antoniazzi criaram o moinho logo após a chegada da Itália da primeira geração da família, e exploraram a atividade como fonte de renda nos primeiros anos do século XX, como sócios num negócio familiar.
Sem precisar em qual década exata, mas próximo à metade do século XX, entre os anos 40 a 60, os irmãos Antoniazzi dividiram o negócio, venderam a propriedade e se estabeleceram na cidade de Santa Maria, Município que corresponde ao pólo da economia da região central do estado do RS. Ambos criaram novos moinhos de trigo na cidade, cujos negócios são conduzidos até os dias de hoje pelos seus descendentes. As farinhas de trigo das diferentes marcas dos moinhos Ipiranga e Antoniazzi fazem parte da identidade coletiva dos Santamarienses até os dias atuais. Ao fundo, a igreja católica consagrada a São Marcos, e ao seu lado a casa paroquial. Apenas quatro famílias residem no núcleo urbano de Novo Treviso nos dias de hoje, sendo que no início do século até mesmo consultório odontológico existia no lugar. A fachada da casa onde ele exercia as suas atividades também é mostrada neste vídeo.

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

A Casa Antiga na Cidade de São Pedro do Sul


Casa Antiga com traços da arquitetura portuguesa no centro da cidade de São Pedro do Sul, na região central do Estado do Rio Grande do Sul. Pelos Tratado de Madri e o de Santo Idelfonso, assinados em 1750 e 1777, desde esta época o Território de São Pedro do Sul pertencia, respectivamente, a Portugal e ao Brasil. No entanto, eram os espanhóis que dominavam toda a região, estabelecidos no acantonamento de São Martinho, atual Município vizinho de São Martinho da Serra.

No ano de 1801, os militares imperiais Manoel dos Santos Pedroso, José Borges do Canto e Ribeiro de Almeida, expulsaram os Espanhóis de toda a região das Missões Orientais, reintegrando toda a região do Rio Grande ao domínio português. A partir dos anos de 1875, colonos alemães e italianos, principalmente, passaram a se estabelecer na região. A missigenação destas culturas com os antigos moradores do local faz parte da formação etnografica do povo São Pedrense nos dias atuais.

São Pedro do Sul pertencia à freguesia de Santa Maria da Boca do Monte, e era conhecido, nesta época, como Rincão de São Pedro. As influências históricas desta época ainda podem ser vistas pela cidade. O Município com o nome atual originou-se pelo Decreto-Lei Estadual nº 720, de 29 de dezembro de 1944. Como curiosidade, seu nome é homônimo da cidade de São Pedro do Sul, do Distrito de Viseu, situada na província da Beira Alta, região do Centro e sub-região do Dão-Lafões, em Portugal. A casa vista neste vídeo é típica das múltiplas influências culturais que a cidade abriga. Embora a sua construção seja mais recente, das primeiras décadas do século XX, retrata com galhardia as múltiplas facetas que se fundiram na cidade de São Pedro do Sul.


segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Lugares Abandonados - A Antiga Estação Férrea de Jacui


Lugares Abandonados - A Antiga Estação Férrea de Jacui. Antiga Estação Ferroviária na localidade de Jacui, interior do Município de Restinga Seca, no RS, construída no ano de 1885 pela Companhia Estatal E. F. Porto Alegre-Uruguaiana, para explorar a Estrada de Ferro Porto Alegre-Uruguaiana. Em 1897 realizou-se uma concorrência pública para o arrendamento desta Estrada de Ferro. Foi vencedor Afonso Spee, que representava a empresa belga da Société Générale pour Favoriser l’Industrie Nationale, com sede sede em Bruxelas, uma empresa que atuava no ramo ferroviário na Europa e que criou a Compagnie Auxiliaire de Chemins de Fer au Brésil para atuar no RS.

Através do Decreto n. 2.884, de 24 de abril de 1898, a Compagnie Auxiliaire des Chemins de Fer au Brésil istalou-se no Brasil, e em 06/1898 passou a explorar a ferrovia e a estação de Jacui. Contava com um capital de 4,5 milhões de francos, e entre seus acionista um brasileiro, o engenheiro João Teixeira Soares, que era o seu administrador no pais. Finalmente, a partir do ano de 1920, o governo do Estado do RS decidiu assumir a ferrovia rio-grandense. Borges de Medeiros, o Governador do Estado nesta época, associado à bancada gaúcha no Congresso, convenceram o Governo Federal a aprovar a estatização da Auxiliaire, com a consequente criação da Viação Férrea do Rio Grande do Sul (VFRGS), agora sob controle do governo do RS.

A estação foi administrada pela companhia Belga até o ano de 1911, quando, em razão do maior número de títulos, a Brazil Railway Company de Farquhar, que era controlada pelo megaempresário norteamericano Percival Farquhar, comprou a antiga empresa e passou a administrar toda a concessão e operações da Compagnie Auxiliaire no RS. O primeiro diretor presidente da VFRGS foi o Eng. Augusto Pestana, um crítico ferrenho do modelo de concessões a grupos privados estrangeiros até então vigente no País. Seu modelo de gestão, investimento e planejamento assegurou o bom funcionamento do transporte ferroviário gaúcho até sua absorção pela Rede Ferroviária Federal (RFFSA) em 1959.

Em regra, o agente de uma estação era também o operador de telégrafo, usado na comunicação entre estações para reportar chegadas e partidas, problemas, para receber e enviar notícias de um lugar a outro. As linhas de telégrafo seguiam junto com as ferrovias, atendendo a operação de trens e proporcionando um avanço nas comunicações das cidades onde chegavam. A estação de Jacuí teve a sua maior importância no início de suas atividades quando, além de ter proporcionado o surgimento do “povoado-estação", com a instalação de armazéns e depósitos agrícolas que atuavam no escoamento da produção da localidade, ali que se instalaram também as oficinas telegráficas da ferrovia e também um depósito de locomotivas, entre os anos de 1920-1930.

A Estação de Jacui era também uma estação de parada de reabastecimento de água, algo fundamental para as locomotivas a vapor. Quase todas as estações tinham uma caixa sobre torre de tijolos ou ferro e algumas tinham uma bomba d'água sobre poço ao lado da linha férrea. Nesta estação, a caixa dágua era de ferro fundido, e ainda encontra-se em pé e preservada, conforme pode-se ver no início do vídeo. As caixas, no Brasil, seguiram o modelo inglês ou belga, de aço e retangulares, e algumas foram feitas com o modelo americano, de madeira ou aço em forma de cilindro. Poucas caixas d'água foram preservadas ao longo das linhas, pois, com a mudança do sistema a vapor para diesel ou eletricidade, perderam a sua função original e, em sua grande maioria, foram demolidas.

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

A Beleza da Fachada da Brigada Niederauer


A Beleza da Fachada da Brigada Niederauer. No vídeo mostramos a fachada e as laterais do Prédio que abriga a 6° Brigada de Infantaria Blindada, também conhecida como Brigada Niederauer, na cidade de Santa Maria - RS. A Brigada Niederauer corresponde a uma das Brigadas do Exército Brasileiro, e é subordinada à 3ª Divisão de Exército, Seu nome histórico faz referência ao Coronel João Niederauer Sobrinho.
Corresponde a uma Grande Unidade com grande poder de fogo, função de suas quatro peças de manobra valor Unidade (dois Batalhões de Infantaria Blindados e dois Regimentos de Carros de Combate). Concentra em Santa Maria 11 de suas 14 organizações militares orgânicas. O Quartel-General que abriga a 6ª Brigada de Infantaria Blindada, foi inaugurado no dia 21 de abril de 1913. Foi elaborado pela Comissão Construtora de Quartéis, sob direção do engenheiro militar coronel Augusto Maria Sisson.

A construção do prédio foi comandada pelo engenheiro militar Oscar Barcellos. como não havia infraestrutura na cidade à época, mandou-se construir um açude, e arrendou-se uma olaria, fornos e máquinas para a construção. E ramais ferroviários ligaram a obra à Viação Férrea e à olaria. O edifício principal é composto por elementos que orientam o estilo quanto à finalidade e que o identificam como construção militar. A solução simétrica enfatiza o centro de equilíbrio, onde há dois pavimentos, tendo no superior as salas do comando.

Em 22/12/1971, foi criada a 6ª Brigada de Infantaria Blindada, por transformação da ID/6, com a transferência de sede para a cidade de SANTA MARIA – RS. Em 22/12/1987 a Brigada transferiu o seu Quartel General para a centenária edificação onde permanece desde então. A origem da 6ª Bda Inf Bld se deu em 29 de janeiro de 1949, com a criação da 6ª Divisão de Infantaria, sediada em Porto Alegre - RS. Em 12 de dezembro de 1952, foi transformada em Comando da Infantaria Divisionária da 6ª DI (Cmdo ID/6). O Seu primeiro Comandante foi o Gen Bda MÁRIO PERDIGÃO.
Niederauer lutou na Guerra da Tríplice Aliança, comandando a 3ª Brigada de Cavalaria Imperial. Foi agraciado com as mais importantes condecorações do Império: a Ordem da Rosa, por bravura no campo de batalha, após a Batalha de Tuiuti; e a Imperial Ordem do Cruzeiro do Sul, também por bravura, em 2 de abril de 1868. O Patrono da 6ª Bda Inf Bld é o Coronel João Niederauer Sobrinho. Niederauer nasceu em 4 de abril de 1827, na colônia alemã de Três Forquilhas, na Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, hoje Estado do Rio Grande do Sul, e era filho dos imigrantes alemães.
Niederauer foi mortalmente ferido por um lançaço quando coordenava o recolhimento dos mortos e feridos, após a Batalha do Avaí em 11 de dezembro de 1868. Morreu dois dias depois, no Hospital de Villeta, e foi enterrado em território paraguaio.