segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

A Casa Abandonada e os Móveis Antigos


A Casa Abandonada e os Móveis Antigos. Casa antiga no Município de Dilermando de Aguiar, região central do Estado do RS. Correspondia a um antigo "bolicho", um pequeno armazém ou mini-mercado nos dias atuais, e atendia a população interiorana residente no Município, devido à sua localização estratégica. O prédio ocupa uma posição estratégica, na saída de diversas localidades do interior do Município, e teria pertencido a família Dib, ou Dibb. Esta informação, no entanto, não pôde ser confirmada. Embora a casa esteja abandonada, a propriedade é privada e encontra-se dentro de área produtiva e povoada.

A Formação histórica do Município provém de propriedades originárias de antigas sesmarias, dentre as quais, Antônio da Costa Pavão, em 1806, e, José Maria da Gama Lobo D"eça, em 1821, cujos nomes ficaram assinalados com a denominação de Colônia Pavão e Picada do Gama. O nome do Município é homenagem a um engenheiro da rede ferroviária, que foi o percurssor do maior entroncamento ferroviário para o extremo sul do Brasil, Dr. Dilermando de Aguiar, empresa onde chegou a ser Diretor de Rede.

Espanhóis, da região Basca, foram os primeiros colonizadores da região, habitada antes pelos índios Guaranis. Os portuguêses chegaram por volta de 1885, quando o Tenente Coronel José da Rocha Vieira inicia o povoamento do local, que foi inicialmente chamado de Estação São Pedro. Dilermando de Aguiar teve seu maior desenvolvimento quando do funcionamento da Rede Ferroviária, onde era importante estação de parada de locomotivas e ponto estratégico da linha que chegava a cidade de Uruguaiana. Hoje a sua economia é centrada nas atividades de agricultura e pecuária.

Em dezembro de 1890 é inaugurada a Estação Ferroviária que impulsiona o desenvolvimento local. Em 1919 a vila cresce em importância, quando se torna ponto inicial de um novo Ramal Ferroviário, ligando Santa Maria à região da fronteira do RS. No entanto, a localidade alcança a emancipação política apenas no ano de 1995.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

A PONTE FÉRREA DA PARADA SILVIO FILIPE NA CIDADE DE RESTINGA SECA NO RS


Vídeo gravado na localidade de "Parada Silvio Filipe", à beira do Rio Jacui, no Município de Restinga Seca, no RS. A Ponte Férrea que aparece no video neste momento corresponde à ponte férrea sobre o Rio Jacui, pertencente ao trecho da antiga ferrovia Porto Alegre - Uruguaiana. A localidade de Parada Filipe corresponde a um pequeno povoado formado por algumas residências de férias, que se originou em razão da presença de antigos ferroviários, ligados à associação dos Ferroviários do Estado, e que provavelmente trabalhavam na antiga estação da localifdade de Jacuí, distante 1,5 Km do local.

O Local era muito frequentado no passado, entre as décadas de 1950 a 1970, durante o período de verão, principalmente por ferroviários e suas famílias. Os visitantes desembarcavam na estação Jacuí, proximo dali, e seguiam 1,5 km até a colônia de férias, caminhando sobre os trilhos até o pequeno povoado. Com o tempo, ao lado da ponte ferroviária, fois construída a Parada Silvio Filipe para que os visitantes do lugar pudessem embarcar e desembarcar dos trens já na colônia de férias. Não foi possível determinar a data de sua construção e nem a data da fundação do povoado. Apenas trens com pequeno número de vagões paravam no local, em razão da proximidade existente da ponte férrea.

A Ponte Férrea que cruza o Rio Jacui, na divisa dos Municípios de Cachoeira do Sul e Restinga Seca foi construída em 1885, no trecho Cachoeira - Santa Maria, da antiga ferrovia Porto Alegre - Uruguaiana. A mesma foi remodelada na década de 1990. Ao seu lado é possível ver as pilastras da ponte original. O Grupo de macacos que aparecem no vídeo são Bugios, aqui chamados de bugios vermelhos ou bugios ruivos, nativos do lugar. São encontrados em todo o território brasileiro e são conhecidos também pelos nomes de macacos guaribas ou macacos barbados.
No Rio Grande do Sul, o gaiteiro (acordeonista) Wenceslau da Silva Gomes, Neneca Gomes, em1928, na região de São Francisco de Assis, inspirado no ronco dos bugios, criou um ritmo musical que foi denominado de bugio, imitando no jogo de foles do acordeon o ronco deste primata. O ritmo musical do Bugio é reconhecido como o único ritmo autenticamente gaúcho dentro do universo da música regional do estado do RS. Os bugios vivem em grupos familiares, geralmente de 3 a 15 indivíduos, e são sempre liderados por um macho. Neste grupo haviam, pelo menos, dez indivíduos. E se alimmentam basicamente de folhas e de frutos, como pode-se ver nitidamente nas imagens aqui gravadas.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

A Igreja do Enforcado em Porto Alegre RS


A Igreja de Nossa Senhora das Dores é a igreja católica mais antiga da cidade de Porto Alegre, no RS. Localiza-se na rua dos Andradas, no centro histórico da cidade, defronte para o lago Guaíba e diante de uma imponente escadaria de 62 degraus, desde a base até a sua entrada principal. A devoção a N. Sra. das Dores foi introduzida em Portugal pelos padres Oratorianos, e chegou ao Brasil por volta de 1770, estabelecendo-se primeiramente em Minas Gerais. Em Porto Alegre, cidade fundada por portugueses açorianos em 1752, a devoção a N. Sra. das Dores começou em 1779.
Os Devotos de N. Sra das Dores mandavam celebrar uma missa todas as sextas-feiras entronizada num dos altares laterais da antiga Matriz da Mãe de Deus, no local onde hoje está construída a Catedral Metropolitana de Porto Alegre. Estes devotos criaram a Irmandade de Nossa Senhora das Dores, que se tornou Ordem no ano de 1824. Em 1832 a ordem das Dores foi desmembrada da paróquia da Mãe de Deus, mas só recebeu um pároco em 1859, quando o Imperador Dom Pedro II indicou o Padre José Soares do Patrocínio Mendonça para o cargo. A construção da igreja começou em fevereiro de 1807, e suas obras só foram terminadas em 1904.
Josino, alegando a sua inocência, teria então jogado uma maldição: as torres "malditas" nunca seriam terminadas e o seu "dono" jamais veria a obra da igreja terminada. No entanto, segundo o historiador Sérgio da Costa Franco, a condenação do dito escravo teria ocorrido em razão de um assassinato. Segundo a lenda, a demora na sua conclusão ocorreu devido à maldição de um escravo, condenado à forca injustamente pela acusação do roubo de um colar da imagem de Nossa Senhora. Segundo a história, eram Domingos José Lopes, um abastado morador da cidade e senhor de escravos, e um escravo de nome Josino, que ele "emprestara" para trabalhar na obra.

Lenda ou verdade, a igreja só foi concluída 97 anos após o início da construção, com um novo projeto de torres e fachada ao estilo eclético alemão, destoando do restante do conjunto arquitetônico, que foi construído em estilo barroco português. A Igreja de Nossa Senhora das Dores foi tombada e declarada patrimônio histórico e artístico nacional em 1938 e seu interior é ricamente decorado com características do período colonial. Sua preservação faz parte do Projeto Monumenta, que tem participação do BID, da UNESCO e do Banco Mundial. Sua história, por sua contemporaneidade, confunde-se com a própria história da cidade de Porto Alegre.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

A História da Antiga Escola Rocha Vieira


Fachada da Escola Estadual de Primeiro e Segundo Graus "Rocha Vieira", no Município de Dilermando de Aguiar, no RS. O prédio mostrado no vídeo corresponde ao prédio original onde a escola começou a funcionar e hoje, aparentemente, serve de sede da administração da escola. A escola foi inaugurada em novembro de 1940, e foi ampliada com o tempo, tendo hoje um grande anexo ao lado do prédio original e um ginásio de esportes ao fundo. Atende em torno de 200 alunos, distribuidos em turnos de manhã e tarde, contando em 2018 com um corpo docente formado por 27 professores e 08 funcionários.

O Nome da Escola homenageia o Tenente Coronel José da Rocha Vieira, que foi personagem histórico ligado ao inicio do povoamento da cidade. A Escola foi fundada na gestão do então Presidente da República Sr. Getulio Vargas, que era natual de São Borja, uma cidade gaúcha bem próxima da cidade de Dilermando de Aguiar. A fundação da Escola se deu, segundo estudos de Marlise Nogueira Ramos, na tentativa de implantação de um modelo de desenvolvimento nacionalista ocorrido em todo o Brasil, no período do anos de 1930-45, modelo este que foi posteriormente substituído por um modelo de desenvolvimento dependente e associado ao capital externo.

A Escola surgiu com a denominação original de "Grupo Escolar Rocha Vieira", em um terreno doado por Otacílio Rocha. A primeira diretora da escola foi a senhora Leda Oliveira da Rocha, e a escola contava com apenas 4 séries iniciais. No final do video consta uma foto do prédio logo após a sua construção. No ano de 1977 o grupo escolar passou a chamar-se Escola Estadual de 1º Grau Rocha Vieira, agora com oito séries. No ano de 1999 passou a ser considerada Escola de Ensino Médio. Localizada na Rua Independencia, 106, no Centro, é a maior escola do Município de Dilermando de Aguiar.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

O Cine Theatro Capitólio em Porto Alegre RS


O Cine Theatro Capitólio em Porto Alegre RS. Projetado e construído pelo engenheiro italiano Domingos Rocco, e inaugurado em 12 de outubro de 1928, nas Esquinas da Av. Borges de Medeiros com a Rua Demétrio Ribeiro está construído, em toda a sua imponência e charme, o prédio do antigo Cine Capitólio, no centro Histórico da Cidade de Porto Alegre, RS. De propriedade do também italiano Luís Faillace, o Cine Capitólio constituiu-se de um cine-theatro, que correspondia a um espaço de projeção de filmes e também de peças teatrais e espetáculos diversos, o que era vanguarda para a época. Suas dependências de luxo e sua luxuosa decoração o colocaram como uma das principais casas culturais do início do século XX em Porto Alegre.

O primeiro filme exibido no Cine Capitólio foi o filme francês "Casanova", de 1927, dirigido por Alexandre Volkoff, que tinha como estrela o ator russo Ivan Mosjoukine. Na mesma década de sua inauguração, foram criados mais 10 novos cinemas de rua em Porto Alegre, consolidando o que já era uma tendência de opção, lazer e de cultura para a população local. A partir da década de 1960, o Cine Capitólio, assim como todos os outros cinemas de rua da cidade, entraram em processo de acelerada decadência, em razão do surgimento da televisão e de outras mudanças culturais. Em 1969 o filho do fundador Faillace arrendou a casa ao Grupo Serrador, de São Paulo, e o prédio foi reformado. O cinema passou a chamar-se Premier e acabou por fechar, definitivamente, no ano de 1994.

O prédio segue o estilo eclético, com a fachada ricamente ornamentada e riqueza de detalhes. Internamente era composto de uma grande sala de projeção e tinha capacidade para abrigar 1295 espectadores sentados. Foi construído na gestão do prefeito Otávio Rocha, que dá nome ao Viaduto Otávio Rocha, outra construção icônica de POA e que desemboca no atual prédio. O prédio foi tombado pelo IPHAE no ano de 2006 como patrimônio Cultural dos Gaúchos e, num esforço conjunto de diversas entidades culturais e com o patrocínio da Petrobras via Lei Rouanet, o antigo prédio do Cine Capitólio, no ano de 2005, foi transformado em Cinemateca, um lugar para a conservação e a preservação da memória audiovisual gaúcha e brasileira.

Ainda no ano de 1979 o prédio do Cine Capitólio foi incluso na listagem do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano como prédio de interesse cultural com vistas à preservação. Em 1995 foi incluso na revisão do Inventário dos Bens Culturais Imóveis do Município de Porto Alegre, e passou a ser de propriedade municipal, tendo sido transformado em patrimônio municipal pela Lei Municipal 365/95. Depois de ter sido restaurado, o antigo prédio do Cine Capitólio foi transformado em um espaço cultural, denominado de Cinemateca Capitólio Petrobras. Corresponde, hoje, a um local que tanto preserva quanto difunde a memória audiovisual. É um centro cultural dedicado única e exclusivamente ao audiovisual, onde ocorrem sessões de cinema, exposições, mostras e outras atividades culturais relacionadas a sua temática principal.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

Os Encantos e a Magia de Novo Treviso no RS


Os Encantos e a Magia de Novo Treviso no RS. Vídeo gravado no distrito de Novo Treviso, Município de Faxinal do Soturno, na região da Quarta Colônia de Imigração Italiana do Rio Grande do Sul. Novo Treviso é considerado o berço da formação do Município de Faxinal do Soturno. A história da localidade está diretamente vinculada à colonização italiana feita por colonos que vieram da Itália por volta do ano de 1870 e se assentaram em Nova Treviso. A colonização se deu através da expansão da colônia mãe localizada no Município de Silveira Martins, para onde eram encaminhados os imigrantes que chegavam na região.

Um dos núcleos de expansão da Colônia de Silveira Martins foi denominado de "Núcleo Soturno", que foi subdividido na localidade de Barracão (atual município de Nova Palma) e na localidade de Geringonça (atual Vila Novo Treviso). Posteriormente, e entre estes dois núcleos, surgiu a cidade sede do município de Faxinal do Soturno. O prédio que aparece no video abriga o Museu Geringonça, aberto ao público desde 2007. O prédio foi doado à prefeitura em 1994 por Pio Ernesto Ceolin, com a finalidade de instalar nele o Museu Histórico de Novo Treviso. Conta com um acervo composto de peças históricas usadas pelos primeiros imigrantes italianos. No prédio funcionou uma antiga escola de freiras na primeira metade do século XX.
O nome de Novo Treviso é uma referência a Treviso, uma comuna italiana da região do Vêneto, capital da homônima província de Treviso, na Itália, região de onde vieram os primeiros imigrantes do lugar. Treviso também corresponde ao nome de uma das cidades mais encantadoras e antigas da Itália. O silo de armazenamento de grãos que aparece no vídeo e que hoje pertence a família Balzan foi adaptado de um antigo moinho de farinha, que pertenceu à família Antoniazzi, cujos descendentes exploram a aividade até os dias de hoje na cidade de Santa Maria, no RS. Os irmãos Adelino Antoniazzi e Vitélio Antoniazzi criaram o moinho logo após a chegada da Itália da primeira geração da família, e exploraram a atividade como fonte de renda nos primeiros anos do século XX, como sócios num negócio familiar.
Sem precisar em qual década exata, mas próximo à metade do século XX, entre os anos 40 a 60, os irmãos Antoniazzi dividiram o negócio, venderam a propriedade e se estabeleceram na cidade de Santa Maria, Município que corresponde ao pólo da economia da região central do estado do RS. Ambos criaram novos moinhos de trigo na cidade, cujos negócios são conduzidos até os dias de hoje pelos seus descendentes. As farinhas de trigo das diferentes marcas dos moinhos Ipiranga e Antoniazzi fazem parte da identidade coletiva dos Santamarienses até os dias atuais. Ao fundo, a igreja católica consagrada a São Marcos, e ao seu lado a casa paroquial. Apenas quatro famílias residem no núcleo urbano de Novo Treviso nos dias de hoje, sendo que no início do século até mesmo consultório odontológico existia no lugar. A fachada da casa onde ele exercia as suas atividades também é mostrada neste vídeo.

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

A Casa Antiga na Cidade de São Pedro do Sul


Casa Antiga com traços da arquitetura portuguesa no centro da cidade de São Pedro do Sul, na região central do Estado do Rio Grande do Sul. Pelos Tratado de Madri e o de Santo Idelfonso, assinados em 1750 e 1777, desde esta época o Território de São Pedro do Sul pertencia, respectivamente, a Portugal e ao Brasil. No entanto, eram os espanhóis que dominavam toda a região, estabelecidos no acantonamento de São Martinho, atual Município vizinho de São Martinho da Serra.

No ano de 1801, os militares imperiais Manoel dos Santos Pedroso, José Borges do Canto e Ribeiro de Almeida, expulsaram os Espanhóis de toda a região das Missões Orientais, reintegrando toda a região do Rio Grande ao domínio português. A partir dos anos de 1875, colonos alemães e italianos, principalmente, passaram a se estabelecer na região. A missigenação destas culturas com os antigos moradores do local faz parte da formação etnografica do povo São Pedrense nos dias atuais.

São Pedro do Sul pertencia à freguesia de Santa Maria da Boca do Monte, e era conhecido, nesta época, como Rincão de São Pedro. As influências históricas desta época ainda podem ser vistas pela cidade. O Município com o nome atual originou-se pelo Decreto-Lei Estadual nº 720, de 29 de dezembro de 1944. Como curiosidade, seu nome é homônimo da cidade de São Pedro do Sul, do Distrito de Viseu, situada na província da Beira Alta, região do Centro e sub-região do Dão-Lafões, em Portugal. A casa vista neste vídeo é típica das múltiplas influências culturais que a cidade abriga. Embora a sua construção seja mais recente, das primeiras décadas do século XX, retrata com galhardia as múltiplas facetas que se fundiram na cidade de São Pedro do Sul.


segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Lugares Abandonados - A Antiga Estação Férrea de Jacui


Lugares Abandonados - A Antiga Estação Férrea de Jacui. Antiga Estação Ferroviária na localidade de Jacui, interior do Município de Restinga Seca, no RS, construída no ano de 1885 pela Companhia Estatal E. F. Porto Alegre-Uruguaiana, para explorar a Estrada de Ferro Porto Alegre-Uruguaiana. Em 1897 realizou-se uma concorrência pública para o arrendamento desta Estrada de Ferro. Foi vencedor Afonso Spee, que representava a empresa belga da Société Générale pour Favoriser l’Industrie Nationale, com sede sede em Bruxelas, uma empresa que atuava no ramo ferroviário na Europa e que criou a Compagnie Auxiliaire de Chemins de Fer au Brésil para atuar no RS.

Através do Decreto n. 2.884, de 24 de abril de 1898, a Compagnie Auxiliaire des Chemins de Fer au Brésil istalou-se no Brasil, e em 06/1898 passou a explorar a ferrovia e a estação de Jacui. Contava com um capital de 4,5 milhões de francos, e entre seus acionista um brasileiro, o engenheiro João Teixeira Soares, que era o seu administrador no pais. Finalmente, a partir do ano de 1920, o governo do Estado do RS decidiu assumir a ferrovia rio-grandense. Borges de Medeiros, o Governador do Estado nesta época, associado à bancada gaúcha no Congresso, convenceram o Governo Federal a aprovar a estatização da Auxiliaire, com a consequente criação da Viação Férrea do Rio Grande do Sul (VFRGS), agora sob controle do governo do RS.

A estação foi administrada pela companhia Belga até o ano de 1911, quando, em razão do maior número de títulos, a Brazil Railway Company de Farquhar, que era controlada pelo megaempresário norteamericano Percival Farquhar, comprou a antiga empresa e passou a administrar toda a concessão e operações da Compagnie Auxiliaire no RS. O primeiro diretor presidente da VFRGS foi o Eng. Augusto Pestana, um crítico ferrenho do modelo de concessões a grupos privados estrangeiros até então vigente no País. Seu modelo de gestão, investimento e planejamento assegurou o bom funcionamento do transporte ferroviário gaúcho até sua absorção pela Rede Ferroviária Federal (RFFSA) em 1959.

Em regra, o agente de uma estação era também o operador de telégrafo, usado na comunicação entre estações para reportar chegadas e partidas, problemas, para receber e enviar notícias de um lugar a outro. As linhas de telégrafo seguiam junto com as ferrovias, atendendo a operação de trens e proporcionando um avanço nas comunicações das cidades onde chegavam. A estação de Jacuí teve a sua maior importância no início de suas atividades quando, além de ter proporcionado o surgimento do “povoado-estação", com a instalação de armazéns e depósitos agrícolas que atuavam no escoamento da produção da localidade, ali que se instalaram também as oficinas telegráficas da ferrovia e também um depósito de locomotivas, entre os anos de 1920-1930.

A Estação de Jacui era também uma estação de parada de reabastecimento de água, algo fundamental para as locomotivas a vapor. Quase todas as estações tinham uma caixa sobre torre de tijolos ou ferro e algumas tinham uma bomba d'água sobre poço ao lado da linha férrea. Nesta estação, a caixa dágua era de ferro fundido, e ainda encontra-se em pé e preservada, conforme pode-se ver no início do vídeo. As caixas, no Brasil, seguiram o modelo inglês ou belga, de aço e retangulares, e algumas foram feitas com o modelo americano, de madeira ou aço em forma de cilindro. Poucas caixas d'água foram preservadas ao longo das linhas, pois, com a mudança do sistema a vapor para diesel ou eletricidade, perderam a sua função original e, em sua grande maioria, foram demolidas.

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

A Beleza da Fachada da Brigada Niederauer


A Beleza da Fachada da Brigada Niederauer. No vídeo mostramos a fachada e as laterais do Prédio que abriga a 6° Brigada de Infantaria Blindada, também conhecida como Brigada Niederauer, na cidade de Santa Maria - RS. A Brigada Niederauer corresponde a uma das Brigadas do Exército Brasileiro, e é subordinada à 3ª Divisão de Exército, Seu nome histórico faz referência ao Coronel João Niederauer Sobrinho.
Corresponde a uma Grande Unidade com grande poder de fogo, função de suas quatro peças de manobra valor Unidade (dois Batalhões de Infantaria Blindados e dois Regimentos de Carros de Combate). Concentra em Santa Maria 11 de suas 14 organizações militares orgânicas. O Quartel-General que abriga a 6ª Brigada de Infantaria Blindada, foi inaugurado no dia 21 de abril de 1913. Foi elaborado pela Comissão Construtora de Quartéis, sob direção do engenheiro militar coronel Augusto Maria Sisson.

A construção do prédio foi comandada pelo engenheiro militar Oscar Barcellos. como não havia infraestrutura na cidade à época, mandou-se construir um açude, e arrendou-se uma olaria, fornos e máquinas para a construção. E ramais ferroviários ligaram a obra à Viação Férrea e à olaria. O edifício principal é composto por elementos que orientam o estilo quanto à finalidade e que o identificam como construção militar. A solução simétrica enfatiza o centro de equilíbrio, onde há dois pavimentos, tendo no superior as salas do comando.

Em 22/12/1971, foi criada a 6ª Brigada de Infantaria Blindada, por transformação da ID/6, com a transferência de sede para a cidade de SANTA MARIA – RS. Em 22/12/1987 a Brigada transferiu o seu Quartel General para a centenária edificação onde permanece desde então. A origem da 6ª Bda Inf Bld se deu em 29 de janeiro de 1949, com a criação da 6ª Divisão de Infantaria, sediada em Porto Alegre - RS. Em 12 de dezembro de 1952, foi transformada em Comando da Infantaria Divisionária da 6ª DI (Cmdo ID/6). O Seu primeiro Comandante foi o Gen Bda MÁRIO PERDIGÃO.
Niederauer lutou na Guerra da Tríplice Aliança, comandando a 3ª Brigada de Cavalaria Imperial. Foi agraciado com as mais importantes condecorações do Império: a Ordem da Rosa, por bravura no campo de batalha, após a Batalha de Tuiuti; e a Imperial Ordem do Cruzeiro do Sul, também por bravura, em 2 de abril de 1868. O Patrono da 6ª Bda Inf Bld é o Coronel João Niederauer Sobrinho. Niederauer nasceu em 4 de abril de 1827, na colônia alemã de Três Forquilhas, na Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, hoje Estado do Rio Grande do Sul, e era filho dos imigrantes alemães.
Niederauer foi mortalmente ferido por um lançaço quando coordenava o recolhimento dos mortos e feridos, após a Batalha do Avaí em 11 de dezembro de 1868. Morreu dois dias depois, no Hospital de Villeta, e foi enterrado em território paraguaio.

segunda-feira, 25 de outubro de 2021

A Antiga Casa do Distrito da Palma em Santa Maria


A Antiga Casa do Distrito da Palma em Santa Maria. A Casa da Palma é uma Casa de arquitetura típica do final do século 19 e início do século 20, construída por imigrantes de origem italiana, localizada no Distrito de Palma, no RS, interior do Município de Santa Maria. O Distrito de Palma foi criado em 31 de dezembro de 1997, e sua área foi desmembrada do distrito de Arroio do Só em sua porção leste, e Arroio Grande em sua porção oeste. A grande maioria da população do Distrito é de origem Italiana.
A origem territorial do Distrito remonta ao ano de 1808, quando Manoel Fernandes Penna veio de Portugal para o Brasil, tendo ele recebido em forma de sesmaria, uma grande extensão de terras que tinha como divisa o Município de Restinga Seca de um lado e o município de Silveira Martins de outro. Manoel Fernandes Penna atuava como Guarda-Mor do Governo Português e se instalou com a família na cidade. O seu filho, José Fernandes Penna, em 1858, construiu uma casa, nesta fazenda, que recebeu o nome de Fazenda Palma.

Pelas características desta construção da casa do vídeo Casas Antigas - A Casa da Palma, ela deve ter sido construída nas primeiras décadas do início do século XX, já pela segunda ou terceira geração dos primeiros colonos vindos da Itália. Os primeiros colonizadores da região foram os portuguêses e os escravos, e antes deles eram os índios guaranis que habitavam o lugar. Os colonos italianos se estabeleceram depois, no final do século 19, em razão da necessidade de expansão da Colônia de Silveira Martins, que recebeu a primeira leva de imigrantes italianos.

A História desta casa guarda um pouco da vida e da memória daqueles que, vindos de além mar, depositaram aqui todos os seus sonhos e as suas novas esperanças, sendo ela um pedaço do legado de nossas próprias descendências. Esta casa antiga está dentro de uma propriedade que é economicamente ativa, sutuada num cenário natural de vales e morros com vegetação nativa, cercada por pequenos riachos e arroios, uma paisagem bucólica e cheia de aforismos poéticos que inspiram até mesmo os mais céticos viajantes do caminho.

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

O Antigo Engenho Abandonado do Distrito de Arroio do Só


O Antigo Engenho Abandonado do Distrito de Arroio do Só. No vídeo mostramos um antigo estabelecimento industrial localizado no centro do Distrito de Arroio do Só, que pertence ao Município de Santa Maria, no RS, hoje completamente abandonado e desativado. Segundo relato de moradores do local, era uma das maiores indústrias da localidade, que absorvia muito da mão de obra existente no local em sua época.

A construção, hoje em escombros, foi sede de um antigo engenho de processamento de arroz que pertenceu a família Trevisan, e funcionou enquanto os trens de carga carregavam na antiga estação férrea à frente do estabelecimento. Os trens carregavam e descarregavam insumos e a produção, e toda a economia girava em torno da antiga estação ferroviária.
A propriedade teria sido uma das filiais da atual empresa Trevisan Alimentos, com sede no Município de Cachoeira do Sul, no RS, que até os dias de hoje atua com grande intensidade no segmento agroindustrial. Não conseguimos apurar, no entanto, se a sede do antigo engenho ainda pertence à família e ao Grupo da Trevisan Alimentos.

O Engenho teria sido fundado em Arroio do Só no ano 1938, e teria sido um dos pioneiros na época da região. Ainda segundo relato de moradores do local, o engenho teria pertencido aos irmãos João Trevisan e Primo Trevisan, cuja esposa deste era Dona Meritana. Atuavam na secagem, descascamento e embalagem do arroz, que era despachado depois, pela ferrovia, aos pontos de venda.

Com o declínio da ferrovia e o fechamento da estação, a maior parte das atividades industriais do Distrito também se desmobilizou. E o antigo engenho de arroz dos Trevisan, como a maior parte das indústrias e do comércio do Distrito, fechou as suas portas. Lenda ou verdade, com o fim das atividades da estação férrea, toda a economia e a comunidade local entrou em declínio constante, esta uma verdade incontestável e reconhecida pelos próprios moradores do lugar.

Uma lenda antiga que circula no Distrito diz que, certa feita um padre negro, recém transferido para atender a comunidade, foi mal recebido pelos moradores exatamente por ser negro, que nem sequer aceitaram-no no local. Ele teria amaldiçoado o vilarejo, dizendo que o mesmo só cresceria como cola de cavalo, ou seja, para baixo.

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

O Antigo Prédio do Museu Militar do Comando Militar do Sul - CMS


Prédio do antigo Anexo do Arsenal de Guerra da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, tendo sido inaugurado no ano de 1867, no tempo do Império do Brasil. Hoje é sede do Museu Militar do Comando Militar do Sul (MMCMS), e está localizado na Rua dos Andradas, Centro Histórico de Porto Alegre, no Estado do Rio Grande do Sul.

O prédio foi concebido na administração do Conde da Boa Vista, sendo Diretor o Tenente-Coronel José Joaquim de Lima e Silva, este tio do Patrono do Exército Brasileiro, o Duque de Caxias. A sua conclusão se deu sob a égide do Barão Homem de Mello, e sob a Direção do Tenente-Coronel Joaquim Jerônymo Barrão. A sede do Arsenal de Guerra era em frente desta construção, onde hoje funciona a 8ª Circunscrição de Serviço Militar (8ª CSM).

A construção do prédio foi concluída pelo mestre de obras Manoel Alves de Oliveira, e possui uma simetria de duas fachadas opostas de dois pisos, que são unidas por alas térreas, construídas originalmente com um grande pátio central a céu aberto, que hoje encontra-se coberto. O prédio foi utilizado como Arsenal de Guerra na Campanha da Guerra do Paraguai.
A construção, que mescla o estilo eclético com o estilo colonial, ao longo de sua história foi sede do Depósito Regional de Armamento e Munição, o DRAM/3 até a década de 60; Foi também a sede da Cia de Comando do III Exército, e por último, foi sede da Cia de Comando do Comando Militar do Sul até 1999. Desde então foi destinado a ser a sede do Museu do CMS , que passou a ocupar o local no ano de 2001.

Como sede do Arsenal de Guerra, tinha como funções originais a realização de apoio de logística e a fabricação e recuperação de armamentos e munições utilizados pelo exército. O Arsenal de Guerra funcionou neste prédio até o ano de 1940, quando foi transferido para o município de General Câmara, também no RS. O prédio então passou a abrigar diferentes aquartelamentos desde então.
O Museu Militar do Comando Militar do Sul está localizado na Rua dos Andradas, número 630, no centro histórico de Porto Alegre, bem em frente à Igreja das Dores. Abre de terça a domingo, sendo que nos sábados e domingos apenas no período da tarde. A entrada não é cobrada. O Museu do CMS tem como missão pesquisar, preservar e conservar o acervo referente à atuação do Exército Brasileiro na Região Sul do país, bem como sua inserção na comunidade local. O Museu possui em seu acervo, entre peças expostas e reserva técnica, um número de aproximadamente 5.000 peças, todas doadas pelas unidades militares do Brasil, catalogadas e historiografadas.

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

Igrejas Antigas do Brasil A Capela do Distrito da Palma


Igrejas Antigas do Brasil A Capela do Distrito da Palma
Igrejas Antigas - A Capela do Distrito da Palma. Capela da Comunidade de Santo André no interior do Distrito de Palma, Município de Santa Maria, no RS.
Está localizada a poucos quilômetros do distrito de Arroio do Só, também Distrito de Santa Maria, com quem faz divisa territorial.